Gonorreia

O que pode fazer para se defender desta doença sexualmente transmissível

A gonorreia é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae e que tem vindo a aumentar a sua prevalência em Portugal, sendo o segundo país europeu onde o número de casos mais aumentou, apesar do seu declínio na maioria dos países da Europa.

Esta doença é mais comum em adultos jovens. 

Porém, pode afetar qualquer pessoa, por contacto com a boca, vagina, pénis ou ânus. A gonorreia pode ser transmitida durante o sexo oral, vaginal ou anal ou até mesmo durante o parto vaginal, no caso de a grávida estar infetada. A bactéria responsável pela gonorreia multiplica-se em áreas do corpo quentes e húmidas, que incluem a uretra no homem e o tracto reprodutivo nas mulheres (trompas de falópio, útero e cérvix), podendo nalguns casos infetar os olhos, a garganta e a boca.

Como se diagnostica

A infeção de gonorreia é muitas vezes assintomática, principalmente nas mulheres, pelo que a maioria das pessoas não sabe que está infectada e não procura, por isso, tratamento. No caso de ocorrerem sintomas, estes desenvolvem-se aproximadamente dois a cinco dias após a infeção, sendo que nos homens podem levar até um mês a aparecer.

O diagnóstico da gonorreia poder ser feito de forma simples pela análise do corrimento vaginal ou do corrimento do pénis, para ambos os sexos, ou por uma análise à urina nos homens. Qualquer pessoa sexualmente ativa pode contrair gonorreia, sendo importante procurar tratamento precocemente para evitar complicações. No caso de a infeção se disseminar para a corrente sanguínea, podem ocorrer erupções cutâneas, febre e sintomas semelhantes aos da artrite.

Sintomas na mulher:

- Corrimento vaginal
- Dor e ardor ao urinar
- Aumento da frequência urinária
- Dor durante as relações sexuais
- Dor no baixo abdómen
- Febre (por infecção das trompas de falópio)
- Garganta inchada (faringite gonocócica)

Sintomas no homem:

- Ardor e dor ao urinar
- Aumento da frequência urinária
- Corrimento pelo pénis (branco, amarelo ou verde)
- Vermelhidão e inchaço da uretra
- Sensibilidade e inchaço testicular
- Garganta inchada (faringite gonocócica)

Prevenção e tratamento da gonorreia

A única forma de prevenir a gonorreia a 100% é a abstinência sexual. Porém, o uso de proteção de barreira como o preservativo e uma relação monogâmica com alguém testado negativamente a DST, pode reduzir grandemente o risco. A gonorreia é habitualmente tratada com o auxílio de antibióticos, sendo estes 95% eficazes contra esta infeção.

Após o diagnóstico de gonorreia, deve informar todas as pessoas com quem teve contacto sexual, para que possam ser testadas a esta doença e caso necessitem, receber tratamento. Cerca de metade das mulheres com gonorreia estão infetadas com clamídia.

Esta é outra doença sexualmente transmissível comum, cujo tratamento deve ser concomitante. Cerca de duas a três semanas após o tratamento, deve ser realizado um novo teste, de forma a certificar que a infeção foi completamente eliminada.

Complicações da gonorreia

Quando deixada por tratar a gonorreia pode levar a complicações graves. Nas mulheres as principais complicações são a salpingite (inflamação das trompas de falópio), a doença inflamatória pélvica (DIP) e a infertilidade. Nos homens a gonorreia pode levar ao bloqueio e à formação de abcessos na uretra.

Complicações mais graves como a infeção das articulações, a infeção das válvulas cardíacas e a meningite podem ocorrer em ambos os sexos, pelo que o diagnóstico e o tratamento atempado devem ser considerados caso tenha tido algum comportamento sexual de risco, evitando contagiar outros parceiros(as) sexuais.

Texto: Clínica 121doc

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