Funcionarão os suplementos e as plantas no tratamento da depressão?

Saiba o que diz e o que recomenda uma investigação do National Institutes of Health

A depressão é um distúrbio do estado de ânimo que faz com que os sentimentos de tristeza, perda, ira ou frustração interfiram com a vida quotidiana durante um determinado período de tempo.

Com base na sua experiência clínica, o psiquiatra Álvaro Campos, refere que, em Portugal, as causas mais frequentes para a manifestação da doença são a insatisfação afetiva e as vidas monótonas.

No entanto, muitas depressões não têm identificação de um acontecimento desencadeante. Acontecimentos de vida pesados, como o luto pela perda de alguém próximo ou uma deceção profissional podem, também, desencadear o seu aparecimento. O psiquiatra acrescenta, também, que no envelhecimento, é comum verificarem-se falsas convicções de demência que podem ser apenas expressão de depressão na pessoa idosa.

Os casos de doença crónica orgânica como, por exemplo, os casos de cancro afetam, também, o ânimo devido ao receio de uma reativação. O seu tratamento faz-se normalmente com uma combinação de medicamentos antidepressivos e psicoterapia.

Suplementos e plantas

Na prevenção e tratamento da depressão, alguns suplementos alimentares podem dar uma ajuda. As conclusões do National Center for Complementary and Alternative Medicine, do National Institutes of Health aponta o ómega-3, ácido gordo que se encontra à venda sob a forma de suplemento, que é também fornecido por alimentos como salmão, sementes e óleo de linhaça e nozes. Os autores de um artigo publicado no Journal of Clinical Psychiatry, em 2006, sugeriam que os suplementos de ómega-3 podiam ser úteis em casos de depressão ou doença bipolar, como complemento ao tratamento convencional.

A erva-de-são-joão, também conhecida como hipericão, «não é uma terapia cientificamente comprovada para a depressão», assegura o estudo. Embora alguns estudos «tenham relatado benefícios em casos de depressão, outras investigações não chegaram a essa conclusão», acrescentam o especialistas no relatório. Deve ser usada com muita precaução, dado que pode interferir com outros medicamentos, incluindo antidepressivos, pílula contracetiva, anticoagulantes e fármacos usados em quimioterapia, entre outros.

A sua toma a par de antidepressivos pode ter efeitos potencialmente sérios. Pode mesmo, em determinados casos, aumentar a sensibilidade ao sol, favorecer a ansiedade, provocar tonturas, alterações gastrointestinais, dor de cabeça e alterações a nível sexual. Finalmente, «a investigação científica não demonstrou, de forma conclusiva, que a SAMe (S-adenosyl L-metionina) possa ser útil» na depressão, alertam os investigadores.

Esta substância produzida naturalmente no organismo a partir de um aminoácido que se encontra nos alimentos e que também existe sob a forma de suplemento pode, ainda, interagir com antidepressivos e com a erva-de-são-joão. Além disso, pode também facilitar o desenvolvimento de um fungo que pode causar pneumonia em pessoas com o sistema imunitário deprimido.


Texto: Fátima Lopes Cardoso com Álvaro Carvalho (psiquiatra e diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral de Saúde)

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