Epilepsia à lupa

Cerca de 60.000 portugueses sofrem desta doença neurológica provocada por uma lesão cerebral que, nos casos mais graves, pode conduzir a um AVC. Veja todos os sintomas a que deve estar atento

Nem todas as pessoas são iguais. Seja a personalidade ou o aspecto físico, todos nós temos algo que nos distingue dos demais. Contudo, algumas diferenças são ainda alvo de incompreensão. É o caso da epilepsia, uma patologia controlável que deriva de «um pequeno defeito numa parte ou na totalidade do cérebro que faz com que existam descargas neuronais todas ao mesmo tempo», explica o neurologista José Lopes Lima. Descubra o que se esconde por detrás desta doença, as soluções e clique o que deve ou não fazer numa crise.

O que causa a epilepsia?

A principal causa é uma lesão no cérebro. Pode resultar de uma malformação, um traumatismo no parto, uma meningite nos primeiros anos de vida ou, mais tarde, de um tumor ou acidente vascular cerebral (AVC). Depois, o que se passa é que o cérebro ao cicatrizar pode formar um foco de epilepsia, uma zona onde há descargas mais fortes que vão alterar o comportamento. Existe outra forma de epilepsia que se verifica em cérebros aparentemente normais, mas nos quais os sistemas de ligação não são perfeitos. Nestes casos, geralmente, há carga hereditária.

Quais são os principais sinais de alerta?

Tudo depende da zona afetada do cérebro. Por exemplo, se é a zona da mão, este membro pode entrar numa convulsão, mas se todo o cérebro for afetado, o indivíduo pode cair, ficar inconsciente e ter uma convulsão generalizada que, normalmente, dura um ou dois minutos. Há ainda outras manifestações, como alterações de visão, de sensibilidade ou a suspensão da consciência durante alguns minutos.

A epilepsia tem cura?

Esta doença ainda não tem cura, mas já existem formas de a controlar. O tratamento tem sempre a mesma finalidade. Passa por tentar controlar todas as crises de forma a que a pessoa tenha uma vida o mais normal possível.

Como é feito o tratamento?

Com os medicamentos que existem hoje em dia, conseguimos um controlo eficaz na grande maioria das crises. Cerca de 60 a 70 por cento dos doentes fica bem controlado com os medicamentos. Pode ainda existir a possibilidade de cirurgia, mas é uma situação que só trata cerca de cinco por cento dos casos.

A intervenção é muito difícil porque primeiro temos de localizar o foco de epilepsia e isso nem sempre é possível, depois temos de ter a certeza que ao tirar aquela parte do cérebro, não se vai afectar ainda mais o doente. Os restantes 20 a 25 por cento terão de aprender a lidar com as crises para o resto da vida, com o apoio do médico e da família.

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