Epicondilite e ombro, qual a sua relação?

Todos nós já ouvimos este termo “epicondilite”, ou até mesmo o seu similar “cotovelo do tenista” (tennis elbow). Mas o que é? E quais as principais causas?

A Sociedade Americana para a Cirurgia da Mão define a epicondilite da seguinte forma:

Epicondilite lateral, comummente conhecida como tennis elbow, é uma condição dolorosa que envolve os tendões inseridos no osso na parte externa (lateral) do cotovelo. (…)

Um dos principais músculos envolvidos nesta condição é o extensor comum dos dedos que, como o próprio nome indica, estica os dedos da mão (ver imagem 1). Normalmente estão envolvidos diversos músculos que se inserem no cotovelo e região do antebraço.

Epicondilite e ombro, qual a sua relação

 Imagem 1 - Representação do músculo extensor comum dos dedos (retirado de dreamstime)

A degeneração associada à inserção tendinosa (sendo “tendinopatia” o nome mais aceite atualmente) leva a que esta zona esteja mais enfraquecida e sujeita a maior stress. Este facto pode levar à dor, que aparece nas situações em que este músculo seja solicitado, como sendo pegar em pesos, ou situações em que precisamos de agarrar ou puxar algo.

De acordo com Ellenbecker et al. (2013), há diversos estudos que apontam que a tendinopatia do cotovelo está relacionada com disfunções de movimento ao nível do ombro, principalmente no que respeita às amplitudes articulares (e respetivos músculos) de rotação interna e externa do ombro. Para medir e comparar de forma simples a rotação interna do ombro, podemos fazer o movimento de levar a mão à omoplata (para as senhoras, algo semelhante ao apertar/desapertar o sutiã). Se a diferença for significativa ou surgir dor, significa que existe alguma alteração ao nível do ombro que precisa de ser avaliada, preferencialmente antes de causar sintomas como sendo a dor ou limitação de movimentos no dia a dia.

Thomas Myers, autor da teoria dos meridianos miofasciais, apresenta diversas linhas ou meridianos miofasciais que unem, neste caso, os músculos do cotovelo, antebraço e ombro (imagens 2 e 3).

Epicondilite e ombro, qual a sua relação

Imagem 2 - Linha anterior superficial (membro superior direito) e profunda (membro superior esquerdo) do baço (Myers, 2012)

Epicondilite e ombro, qual a sua relação

Imagem 3 - Linha posterior superficial (membro superior direito) e profunda (membro superior esquerdo) do braço (Myers, 2012).

Muitos de nós já sofreram algum tipo de dores no ombro, braço, cotovelo ou até mesmo na mão, devido às imensas horas que passamos ao computador. Com esta visualização de como estes diversos músculos se influenciam mutuamente, torna-se fácil perceber como uma alteração nos músculos do ombro e do pescoço podem influenciar ou potenciar dores e lesões ao nível do cotovelo, e vice-versa.

Se não sente qualquer tipo de dor, mas trabalha muitas horas à secretária ou ao computador, não espere até sentir. Consulte já um dos fisioterapeutas no seu clube Holmes Place, que poderá atuar na prevenção, descobrindo, nomeadamente:

  • Se a sua postura ao computador é a mais adequada
  • Formas de ajustar o seu ambiente de trabalho (altura do ecrã, da cadeira, posição do braço e antebraço, entre outras)
  • Descobrir exercícios simples que poderão ajudá-lo a evitar estas dores

Por outro lado, se já tem vindo a sentir algum tipo de desconforto ou dor, venha efetuar uma avaliação com um dos seus fisioterapeutas Holmes Place e saber de que forma podemos ajudá-lo a sentir-se melhor e mais saudável. Esperamos por si!

Sara Costa

Fisioterapeuta Holmes Place Quinta da Fonte

Referências:

American Society for Surgery of the Hand (2017). Tennis Elbow : Lateral Epicondylitis. Disponível: http://www.assh.org/handcare/hand-arm-conditions/tennis-elbow. Consulta em: 10/02/2017.

Ellenbecker, T. S., Nirschl, R., & Renstrom, P. (2013). Current Concepts in Examination and Treatment of Elbow Tendon Injury. Sports Health5(2), 186–194.

Myers, T. (2012). Bodyreading the Meridians. The Arm Lines. Disponível: https://www.anatomytrains.com/wp-content/uploads/2012/09/bodyreading1.pdf. Consulta em 10/02/2017.

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