Doenças renais – Prevenção

Ao nível das doenças renais temos pela frente um combate de persistência na informação e na educação das populações

As funções dos rins no organismo são diversas, mas a mais conhecida e mais divulgada consiste na eliminação das substâncias tóxicas resultantes do funcionamento normal de todos os órgãos do corpo.

Os rins podem ser atingidos por doenças agudas ou crónicas. Não obstante a importância da insuficiência renal aguda, a nossa atenção centra-se sobretudo na doença renal crónica.

A sua elevada frequência em todo o Mundo (cerca de 500 milhões de pessoas) leva a que deva ser classificada como um sério caso de saúde pública.

Ao nível da prevenção da doença renal crónica, esta deve exercer-se em dois planos: o primeiro no sentido de tentar diminuir o número de novos hipertensos, diabéticos e obesos; e o segundo dirigido àqueles que já são hipertensos, diabéticos e obesos, para que saibam que correm um elevado risco.

Ainda no âmbito da prevenção e da informação, um dos objetivos do profissional de estética prende-se com a identificação precoce de sinais de desequilíbrio físico e psicológico do cliente, atuando nos diferentes níveis que possam estar na origem dessas condições.

É importantíssimo o papel destes profissionais na identificação e prevenção precoce dos vários desequilíbrios, podendo assim contribuir para que seja evitado a tempo o desenvolvimento de patologias mais complexas.

Doença Renal Crónica (DRC)

A DRC é caracterizada pela existência de uma lesão renal que se acompanha de um declínio mais ou menos lento mas progressivo das funções dos rins.

Uma dessas principais funções consiste na eliminação de substâncias tóxicas resultantes do funcionamento (metabolismo) dos órgãos. Em consequência, aquelas substâncias, ao ficarem retidas no sangue, resultam numa acumulação de produtos metabólicos tóxicos.

Quem atinge?

Pode atingir indivíduos de ambos os sexos, mas parece progredir mais rapidamente no sexo masculino. A sua incidência é maior nos adultos e nos idosos, fazendo com que seja considerada uma doença que atinge sobretudo as idades mais avançadas.

É ainda mais frequente nas pessoas com diabetes, hipertensão arterial de longa data, obesidade, com algumas doenças hereditárias ou que têm antecedentes familiares de doença renal. Todavia, é importante reter que a doença renal crónica pode evoluir silenciosamente durante muito tempo. Por este motivo são particularmente importantes a prevenção e o diagnóstico, tão cedo quanto possível.

Como se previne?

Existem alguns hábitos de vida saudável que permitem prevenir esta doença, tais como:

• Limitar a ingestão de álcool;

• Suspender o tabaco;

• Fazer exercício físico;

• Controlar a hipertensão arterial e a diabetes;

• Fazer uma alimentação variada, com alimentos frescos, rica em vegetais e frutos, pobre em gorduras, sem excessos de proteínas e pouco sal.

Como se manifesta?

Em geral, a doença renal crónica evolui sem sintomas até às fases mais avançadas. No entanto, podem existir alguns sinais como:

• Tensão arterial elevada;

• Começar a urinar com mais frequência, sobretudo durante a noite;

• O aparecimento de urina espumosa;

• A fadiga causada por anemia relacionada com o “sofrimento” renal;

• O inchaço nos olhos e nos membros inferiores, principalmente ao acordar e ao final do dia;

• A falta de apetite, as náuseas e os vómitos, quando os valores da ureia no sangue já são muito elevados.

Como se trata?

• É mais fácil prevenir do que tratar. Deve reduzir a ingestão de sal, baixar a pressão arterial elevada, manter o açúcar no sangue controlado, se for diabético, e evitar os medicamentos para as dores.

• Na sua forma mais grave, o tratamento pode significar efetuar diálise peritoneal, hemodiálise ou transplantação renal.

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Como é realizado o diagnóstico?

A DRC pode ser detetada através de alguns sinais clínicos, mas o diagnóstico seguro só é possível através de exames laboratoriais ao sangue e à urina.

Neste âmbito, o médico desempenha um papel fundamental, pelo contacto de proximidade que mantém com os seus utentes, possibilitando a prevenção da doença, e pela facilidade com que pode chegar a um diagnóstico precoce, com implementação rápida das medidas que permitirão estabilizar ou fazer regredir a doença renal.

Pela mesma razão, o profissional de estética, devido também à proximidade que mantém com os seus clientes, poderá ser fundamental na identificação deste tipo de patologia, alertando e chamando a atenção dos seus clientes para alguns dos sintomas da DRC, nomeadamente para o inchaço nos olhos e nos membros inferiores, sintomas que afetam diretamente o aspeto e o bem-estar dos seus clientes.

Em Portugal é assim…
No nosso país estima-se que um em cada dez indivíduos (com idade superior a 18 anos) seja atingido pela doença renal crónica, ou seja, cerca de 800 mil pessoas deverão sofrer da doença, considerando qualquer uma das suas cinco fases ou estádios de evolução.

Todos os anos surgem mais de dois mil novos casos de doentes em falência renal e, por esse motivo, a necessitar de diálise, ou, nos casos em que isso é possível, de um transplante.

Em Portugal existem atualmente cerca de dezasseis mil doentes em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e cerca dois mil aguardam em lista de espera a possibilidade de um transplante renal.

O que é a nefrologia?
A nefrologia é uma especialidade médica vocacionada para o estudo e tratamento das doenças que afetam o funcionamento dos rins.

A perda de função renal pode ser evitada se os doentes forem observados precocemente e seguidos numa consulta de nefrologia.

A realidade é que muitos doentes só são enviados tardiamente para um nefrologista, habitualmente quando já têm insuficiência renal moderada ou grave e, nessas condições, a insuficiência renal já tem um caráter irreversível.

Cálculos renais
Popularmente conhecida por “pedra nos rins”, esta patologia tem também registado um aumento de incidência em Portugal, nos últimos anos. A urina contém diversas substâncias que incluem sais minerais (cálcio, oxalato, fosfato, ácido úrico) que em determinadas circunstâncias podem cristalizar.

Estes pequenos cristais podem agregar-se de forma resistente, dando origem ao cálculo, vulgarmente chamado “pedra”. Relativamente à sua prevenção, é possível afirmar-se que a ingestão de água em quantidade generosa e diária pode prevenir a cristalização e a formação de cálculos, todavia, tudo depende do tipo de cálculo e da eventual anomalia subjacente.

As terapias complementares oferecem um alívio eficaz e natural para os casos mais ligeiros, assim como as estratégias para impedir que o tamanho dos cálculos aumente, mas, de um modo geral, é muito mais fácil prevenir o seu aparecimento.

No início do século XX, quando as pessoas ingeriam alimentos naturais e saudáveis, praticamente não se ouvia falar em cálculos renais. Com o passar do tempo, à medida que o teor de fibras na alimentação diminuiu e o de gordura, açúcar, lacticínios e alimentos sem valor nutritivo aumentou, a doença tornou-se muito mais comum.

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Mas saiba que é possível prevenir a ocorrência desta condição dolorosa com mudanças na alimentação e no estilo de vida e, ainda, através de suplementos nutricionais e terapias. Aqui ficam algumas recomendações que poderá seguir:

1. Hidratação

A hidratação é a tática mais importante no tratamento e na prevenção de cálculos renais. Se tiver cálculos renais, beba de dois a três litros de água diariamente. Após a expulsão do cálculo, retome a dose normal de um copo a cada duas horas.

2. Alimentação

Os rins são órgãos altamente complexos e extremamente sensíveis a qualquer mudança na estrutura química do sangue e, por consequência, aquilo que comemos altera de forma significativa a sua condição e integridade.

Siga uma dieta baseada em hortaliças frescas e cruas e cereais integrais; coma feijões, nozes, sementes, e faça do peixe a sua principal fonte de proteínas. Se não conseguir excluir a carne, opte por carnes brancas, magras e de alta qualidade.

A vitamina A é muito benéfica para o trato urinário, por isso, consuma grande quantidade de hortaliças amarelas, verdes e cor-de-laranja, tais como: a cenoura, a abóbora, os espinafres e as folhas de brócolos.

Eleve ainda os níveis de magnésio, comendo algas, amêndoa e maçã. Também o aipo, a salsa e a melancia ajudam a limpar o trato urinário, portanto, acrescente-os regularmente às suas refeições.

3. Desintoxicação

Um jejum de três dias à base de sucos de hortaliças elimina a sobrecarga de minerais do organismo e estimula a expulsão dos cálculos com o mínimo de dor possível. Beba sucos variados. Os de folhas, cenoura, limão, salsa, aipo e melancia são especialmente úteis para limpar os rins.

4. Suplementos

• Uva ursi é uma erva tradicional usada no tratamento de cálculos renais. Alivia a dor, limpa o trato urinário e combate infeções. Tome 250 a 500 mg, três vezes ao dia, até ao máximo de 14 dias seguidos.

• A raiz de dente-de-leão é excelente para limpar os rins. Tome, durante um mês, 500 mg duas vezes ao dia. Descanse pelo menos um mês até recomeçar a tomar esta erva.

• A cavalinha tem qualidades diuréticas benéficas. Beba entre três a quatro chávenas diárias de chá de cavalinha.

• Tome três a quatro chávenas diárias de chá de zimbro, com propriedades diuréticas, até expulsar os cálculos.

5. Terapias complementares

Acupuntura:
Ajuda a combater a dor do cálculo renal e promove uma eliminação mais eficaz.

Reflexologia: Ajuda a passagem dos cálculos renais e alivia a dor. Devem ser trabalhados os seguintes pontos: uréter, rins, bexiga, diafragma, paratiroide e região lombar.

Hidroterapia: Um banho de assento quente ajuda a aliviar a dor. O cliente pode beber água ou um chá de ervas enquanto estiver no banho de assento, para estimular a eliminação mais rápida do cálculo.

Aromaterapia: Para aliviar a dor abdominal, use um dos óleos a seguir, juntos ou isoladamente: camomila, alfazema e manjerona. Poderá adicioná- los aos banhos, em casa ou no instituto, ou esfregá-los diretamente sobre o abdómen.

Meditação: Quando a dor do cálculo renal for muito forte, use técnicas de meditação para se desligar da dor.

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A condição dos órgãos afeta a beleza exterior

Na Medicina Tradicional Chinesa, a teoria básica diz-nos que todos os órgãos estão interligados através dos meridianos. Cada meridiano corresponde a um órgão. Se existir algum problema num órgão, pode manifestar-se de diversas formas.

O nosso estilo de vida e a hereditariedade podem causar danos no nosso corpo e pressão sobre os órgãos, esgotando e destruindo nutrientes vitais, o que por sua vez se reflete em problemas de pele, fadiga e envelhecimento precoce.

De facto, sabia que uma olhadela rápida ao espelho pode dizer bastante acerca da nossa saúde? A simples forma da face, a postura e a tonalidade da pele revelam um poderoso manancial de informação acerca de cada pessoa.

Todos estes aspetos refletem a vitalidade da nossa constituição, a qualidade dos alimentos que ingerimos e o estado de saúde dos nossos órgãos internos. As técnicas de diagnóstico oriental são, assim, muito usadas nas consultas de medicina tradicional chinesa no sentido de nos conhecermos melhor a nós próprios e aos outros.

A fisionomia, ou diagnóstico facial, tem milhares de anos e foi utilizada no Oriente e no Ocidente como um dos principais métodos de diagnóstico e de avaliação de caráter.

O especialista Francisco Varatojo começou a estudar esta arte há mais de 30 anos com um dos seus principais peritos, Michio Kushi, e afirma “continuo a achar extraordinário a forma como todo o nosso corpo revela o que somos, como nos sentimos, o que se passa no nosso interior”.

Leitura do rosto

O mapa da face é um dos modelos mais usados na medicina oriental e na macrobiótica. É ainda adaptado a vários protocolos em estética. Faz a relação entre as diferentes áreas da face e os diversos órgãos. Parte do princípio que existe uma relação complementar e antagónica entre as zonas superior e inferior do corpo. A nossa cabeça funciona como uma forma contraída do corpo e este como uma forma expandida da cabeça, pelo que podemos facilmente relacionar áreas específicas. Quaisquer sintomas, como alterações de cor, inchaço, rigidez, flacidez ou outros, podem mostrar desequilíbrios nos órgãos correspondentes. De acordo com o mapa da face, a zona por debaixo dos olhos está associada aos rins e à bexiga. As olheiras e o inchaço nesta zona refletem debilidade nestes órgãos.

Avaliação da pele

O estudo da pele é também uma ferramenta importante em diagnóstico. Existem significados para as diferentes colorações e condições cutâneas. Uma pele saudável é bonita, elástica, brilhante e levemente húmida. A pele reflete muito do que se passa no interior, uma vez que funciona como órgão excretório. Quando os órgãos excretórios principais, como os intestinos, os rins ou o fígado, começam a ter dificuldade em eliminar o excesso, a pele pode começar a assumir a função de filtro de toxinas, surgindo assim os primeiros problemas dermatológicos. Por isso, a medicina oriental considera que, através das diferentes condições cutâneas, se pode aferir com bastante pormenor a condição geral de saúde de um indivíduo.

Colorações cutâneas

Independentemente da nossa tonalidade ou origem étnica, existem determinadas cores ou “sombras” que em medicina oriental podem indicar potenciais problemas:
Castanho: Uma tonalidade acastanhada pode demonstrar problemas digestivos e/ou de rins e é causada por excessos de proteínas e de açúcares.
Escuro: A cor escura tende a surgir mais sob a forma de “sombra”, em especial à volta da boca ou dos olhos e está associada aos rins e/ou órgãos reprodutores e/ou glândulas supra-renais. A causa alimentar reside especialmente no consumo de produtos químicos (medicação) e de açúcar.

Observação e introspeção

Apesar de ser necessária bastante prática para usar corretamente as ferramentas do diagnóstico oriental, é possível, no entanto, através da simples observação, apercebermo-nos do desenvolvimento de alguns problemas básicos em nós mesmos ou nos outros.

É nesta área que os profissionais de estética, sensíveis a alterações cutâneas e visuais, podem apostar, de modo a terem um papel ativo no que respeita a alertar e a encaminhar os seus clientes para um especialista.

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Como é evidente, esta avaliação não substitui, de forma alguma, um diagnóstico médico, o qual é essencial para saber em detalhe o que se passa a um nível muito específico.

Apesar disso, uma auto-observação bem estruturada, juntamente com uma introspeção honesta sobre o estilo de vida, podem ajudar a ajustar alguns hábitos de forma a resolver potenciais desequilíbrios.

O rim como fonte de energia
Na visão da medicina tradicional chinesa, os rins são a fonte do nosso poder e vitalidade e assumem também o papel principal no metabolismo da água, controlando os líquidos do corpo e assegurando o equilíbrio entre o Yin e o Yang.

O rim fornece e armazena o Qi (a energia vital) para todos os outros órgãos e governa o nascimento, crescimento, reprodução e desenvolvimento. Uma boa analogia para entender este Qi é que quando nascemos, cada um de nós dispõe de uma “reserva de energia vital” que nos foi concedida geneticamente para usarmos ao longo da nossa vida.

Se, ao longo da vida, usarmos pouco desta “reserva”, evitando excessos e desperdícios e, ainda, reforçarmos esta poupança diariamente, a essência vital abundante na natureza, a saúde e a longevidade serão o nosso prémio.

Mas, se esgotamos essa fonte de energia todos os dias, e raramente a repomos, essa “poupança” vai ser consumida depressa, traduzindo-se num envelhecimento precoce e numa longevidade mais reduzida.

Ações de sensibilização
A Sociedade Portuguesa de Nefrologia e a Associação Portuguesa de Insuficientes Renais assinalam, este ano, o Dia Mundial do Rim com um conjunto de iniciativas de sensibilização, pelo país, que pretendem informar os portugueses sobre as doenças renais, a importância do rastreio preventivo e do diagnóstico precoce.

Fernando Nolasco, Presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia reforça que “Estima-se que entre 500 e 800 mil pessoas em Portugal tenham algum grau de compromisso da função renal, não estando, a maior parte delas, identificada”, e acrescenta “quanto mais tarde estas situações forem tratadas, mais problemas iremos ter em evitar que progridam.

À medida que os anos vão passando, a doença vai evoluindo e as lesões podem tornar-se irreversíveis”. No dia 11 de março, no Salão Nobre do Instituto Superior Técnico de Lisboa, decorre, por volta das 16h00, um concerto de encerramento das comemorações do Dia Mundial do Rim, pela Banda Filarmónica da Guarda Nacional Republicana.

Esta atuação, de entrada gratuita, destina-se a todos os doentes renais crónicos, os seus familiares, amigos e público em geral. Carlos Silva, Presidente da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, considera “estas iniciativas muito importantes, não só para o apoio dos doentes com insuficiência renal crónica, mas também para informar todos os portugueses sobre as doenças renais crónicas, as suas formas de prevenção e de tratamento, área onde ainda existe um longo caminho a percorrer”.

Em Portugal, estima-se que cerca de 800 mil pessoas deverão sofrer de doença renal crónica, considerando qualquer uma das suas cinco fases ou estádios de evolução. A progressão da doença é muitas vezes silenciosa, isto é, sem grandes sintomas, o que leva o doente a recorrer ao médico tardiamente, já sem possibilidade de qualquer recuperação.

Edição: Patrícia Velez Filipe
Bibliografia: Tratamentos Naturais, de James Balch e Mark Stengler; da Editora Campus
Fotografia: © Jane Doe - Fotolia.com
Agradecimentos: Francisco Varatojo, diretor do Instituto Macrobiótico de Portugal (IMP); Rui Alves, nefrologista e professor da Faculdade de Medicina de Coimbra; Sociedade Portuguesa de Nefrologia

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