Diabetes tipo II: alguns aspetos a reter sobre os medicamentos

A diabetes tipo II é o tipo mais comum de diabetes e pode ocorrer em qualquer idade. Resulta, na maioria dos casos, de estilos de vida pouco saudáveis (alimentação desequilibrada, rica em açúcares e inatividade física).
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Os principais fatores de risco são o excesso de peso ou obesidade, sedentarismo, antecedentes familiares, diabetes gestacional ou filhos com mais de 4 kg à nascença. A prevenção é possível pelo controlo dos fatores de risco modificáveis.

Por exemplo, o exercício físico ajuda a reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes tipo II em 58%. No entanto, quando a prevenção não é suficiente, é preciso saber como controlar a doença.

Antes de surgir diabetes tipo II, normalmente há um estado de pré-diabetes – níveis de glicemia acima dos valores de referência mas não suficientemente altos para ser diagnosticado como diabetes. Em caso de pré-diabetes, não se desenvolve automaticamente diabetes tipo II.

Na fase inicial da diabetes tipo II, a doença pode ser controlada, exclusivamente, através da prática de exercício físico e de uma alimentação saudável. Ao fim de algum tempo, é habitualmente necessário associar a estas medidas medicamentos específicos: os antidiabéticos orais e/ou injeções de insulina. A insulina é utilizada na diabetes tipo II apenas quando os antidiabéticos já prescritos sozinhos não conseguem controlar a glicemia; em caso de gravidez (os antidiabéticos orais não podem ser utilizados durante este período) ou em caso de complicações derivadas de outra doença ou situação específica (ex.: cirurgia).

Existem ainda antidiabéticos que apresentam um mecanismo de ação diferente dos antidiabéticos orais e que são administrados sob a forma de injeção (o Liraglutido e o Exenatido). Podem ser combinados com os outros medicamentos usados na diabetes, caso seja essa a opção do médico.

Os medicamentos antidiabéticos de toma oral atuam por estimulação da produção de insulina ou por aumento da sensibilidade das células à mesma, melhorando a sua ação ou reduzindo a absorção de glicose. Para que sejam eficazes, é preciso ter alguns cuidados:

  • Nunca se deve tomar medicamentos não prescritos pelo médico sem o seu conhecimento ou sem falar com o farmacêutico – existem interações entre medicamentos que podem levar a uma diminuição do efeito antidiabético;
  • No início do tratamento é comum surgirem alterações gastrointestinais com alguns antidiabéticos orais, como diarreia, dor abdominal, flatulência, náuseas e vómitos. No entanto, caso não haja melhoria dos sintomas, é necessário consultar o médico;
  • Alguns medicamentos podem também levar à diminuição da absorção de nutrientes e/ou à alteração do paladar. Por exemplo, a Metformina compromete a absorção de Vitamina B12, importante para a formação de células sanguíneas, metabolismo celular (medula óssea) e na função neurológica. Como tal, pode ser necessário recorrer a suplementação oral;
  • Outros podem ainda originar alterações sanguíneas, como anemia e trombocitopenia, e cardíacos, como falta de ar, dor no peito e edema (ex. Rosiglitazona);
  • Existem também medicamentos que apresentam um elevado risco de hipoglicemia, como a Glibenclamida e a Gliclazida, sendo o autocontrolo crucial para a monitorização da terapêutica;
  • Alguns medicamentos têm um prazo enquanto estão fechados mas depois de abertos apresentam um prazo mais curto;
  • Sempre que tiver consulta, o doente deve fazer-se acompanhar de todos os medicamentos que toma. Desta forma, o médico confirma as indicações dos mesmos, reconcilia o tratamento se necessário e deteta possíveis erros de medicação.

O tratamento deve então ser prescrito pelo médico, em função das condições do doente, garantindo o menor risco de complicações e promovendo a adesão à terapêutica. Todos estes aspetos devem ser considerados para que a terapêutica seja eficaz e… uma terapêutica eficaz equivale a uma doença controlada.

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