Cuidar de quem cuida

Como enfrentar a doença de um familiar sem perder o equilíbrio físico e emocional

Assistir à perda de capacidades físicas e psicológicas de uma pessoa que nos é querida e vê-la ficar dependente da família ou de algum amigo é uma experiência dolorosa para todos os que têm de enfrentar a situação.

Em especial, quando o prognóstico clínico é a morte. Cada momento de angústia que o doente vive é partilhado por quem dele cuida e cada má notícia médica pode ser vivida como uma derrota.

Deixamos-lhe os conselhos de um especialista em cuidados paliativos, de uma oncologista e um testemunho que podem ajudar o cuidador a adoptar uma postura positiva e a enfrentar a experiência com a força de um herói.

A má notícia

Habituado a lidar com situações de extremo sofrimento, António Lourenço Marques, vice-presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) e fundador da primeira Unidade de Dor do país, no final de 1992, considera que o primeiro passo para ajudar a família a enfrentar a doença é a forma como a notícia é transmitida: «É importante que, logo no início, quando se anuncia o diagnóstico de uma doença incurável e mortal, a informação seja prestada de forma adequada.

Cumprindo os critérios da verdade, mas com sensibilidade, com cordialidade, usando palavras compreensíveis e dando uma perspectiva realista da evolução da doença. Com cuidados próprios, as doenças na fase avançada são, na maioria das vezes, suportáveis.

Uma coisa é abandonar o doente à sua sorte, outra, que é a obrigatória, é garantir a continuidade de cuidados, com a participação efectiva da equipa multidisciplinar de cuidados paliativos. A família passa a pertencer à equipa, porque também presta cuidados e recebe atenção dos outros elementos, durante 24 horas, sete dias da semana, se for preciso. Esta possibilidade tem um efeito extraordinário.

Comentários