Como eu vivo com Parkinson

Uma história de superação contada na primeira pessoa

Julieta Lopes sofre de doença de Parkinson. Já reformada (era professora do ensino especial), continua a ocupar o seu tempo livre com as atividades de que mais gosta como ginástica, aulas de teatro, canto e italiano.

Com uma atitude positiva contagiante, fala na importância de se manter ativa para fazer da vida uma festa, uma atitude de que não abdica.

A doença de Parkinson entrou na sua vida há nove anos.

O século XX estava a chegar ao fim e Julieta Lopes quis comemorar a entrada no século XXI na casa de família que acabara de reconstruir, na Beira Alta. No rescaldo da festa, surgiram os primeiros sintomas da doença, que só mais tarde viria a ser diagnosticada. «Acho que traba­lhei de mais e arranjei uma tendinite, doía-me o ombro, mas nada que me fizesse suspeitar ser algo de mais grave», recorda. De volta a Lisboa, depois de fazer exercícios de recuperação numa clínica de fisiatria foi-lhe dito, pela primeira vez, que tinha Parkinson.

«Assim que me viu, o fisiatra disse-me que tinha Parkinson. Ele tinha-me visto uns meses antes e não tinha dito nada. Pensei que ele era doido. Eu nem sequer tremia. Toda a gente pensa que o principal sintoma são os tremores mas parece que um terço das pessoas com Parkinson não tremem. Até me deu uma carta para ir a um neurologista, mas eu não liguei», confessa.

«Passados dois meses, em conversa com o meu cunhado, que é da Força Aérea, sugeriu-me que consultasse uma neurologista que dava consulta no Hospi­tal Militar e de quem tinha ouvido falar muito bem. Pelo sim pelo não, vou, pensei. Mal, não faz», acreditava. «Quando fui à consulta, não falei à médica nas suspeitas do fisiatra, disse-lhe só que me tinham mandado ali mas não sabia porquê. Respondeu-me logo que era por ter Parkinson. Então é mesmo verdade, pensei», afirma.

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