Cães beagle identificam infeção hospitalar que pode matar

O Clostridium difficile (Cdiff) é uma bactéria que existente no intestino dos humanos e de outros animais, geralmente inofensiva, mas capaz de provocar doenças de gravidade variável, desde diarreia, febre, até choque séptico e morte. Um artigo do Médico especialista em Medicina Interna Carlos Palos.
créditos: PixaBay

A hipótese de uma diarreia ser causada pelo Clostridium aumenta se tiver havido toma de antibióticos, contacto com outros doentes com diarreia (como acontece nos lares e hospitais) ou em grupos de doentes especialmente susceptíveis, tais como os doentes com situações tumorais ou outras que causam depressão do sistema de defesa.

Embora Portugal tenha, aparentemente, uma média inferior à da Europa (perto de 3 casos por 10.000 internamentos, enquanto que na europa a média ronda os 6 casos por cada 10.000 internamentos), de acordo com um estudo europeu, é reconhecido internacionalmente que nem todas as situações são detetadas, o que pode resultar da falta de consciencialização dos médicos para o problema e das limitações resultantes com os testes.

A diarreia resulta da produção de uma toxina específica e as fezes diarreicas podem ter um cheiro algo “característico”, o que é reconhecido por cerca de 55-78% dos enfermeiros.

Sabendo-se que o olfacto dos cães é 100 vezes mais apurado que o dos humanos, e atendendo a exemplos noutras áreas de investigação criminal, investigadores holandeses treinaram um cão de raça beagle para a deteção do Clostridium.

O cão, de dois anos de idade, foi exposto sequencialmente a placas de cultura em laboratório e a diarreia de doentes, sendo treinado para se sentar sempre que reconhecesse a presença no ar de odores resultantes da presença da bactéria.

De seguida, entre setembro de 2010 e maio de 2011, foi levado a dois hospitais holandeses onde “passou visita” a 300 doentes, reconhecendo 25 dos 30 doentes com diarreia por Clostridium e apenas se enganando em 5 dos 270 que não tinham infeção. Nunca necessitou de contacto físico com os doentes e demorou apenas 10 minutos, enquanto os testes, actualmente em uso, demoram pelo menos 2 horas.

Este estudo tem a curiosidade de mostrar como, também na saúde, existe potencial para a utilização de animais na identificação de odores específicos, tal como em investigação criminal.

Por Carlos Palos, Médico Especialista em Medicina Interna e Coordenador do Grupo de Coordenação Local do Plano de Prevenção, Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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