As inimigas da respiração

Conheça as principais doenças que podem afectar o aparelho respiratório e... proteja-se!

As doenças respiratórias são a terceira causa de morte em Portugal e os números tendem a aumentar.

Patologias como a asma, rinite alérgica, pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e gripe têm assumido contornos que justificam, na opinião dos especialistas, uma abordagem prioritária pelo Plano Nacional de Saúde.

Idosos e crianças são os grupos mais vulneráveis mas ninguém está a salvo deste tipo de problema. Com base nos dados do relatório de 2008 do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR), aprenda a identificar cada uma destas doenças, bem como a fazer-lhes frente...

Asma

Trata-se de uma doença inflamatória crónica das vias aéreas. Pode ter ou não origem alérgica e pode também ter ou não cura definitiva. Normalmente a asma alérgica persiste porque a alergia se mantém ao longo da vida. Estima-se que exista mais de um milhão de asmáticos em Portugal.

Grupos de risco

Pode afetar qualquer pessoa, mas tem maior prevalência na população infantil e juvenil.

Sintomas

Tosse com predomínio noturno, pieira recorrente, dificuldade respiratória e aperto torácico recorrente.

Tratamento

Nada deverá ser tomado sem antes se ter realizado um diagnóstico por um médico especializado que aconselhará o melhor tratamento. Os métodos mais comuns são os inaladores ou bombas, comprimidos e xaropes.

Rinite alérgica

Consiste numa inflamação das mucosas do nariz. Segundo o relatório da ONDR «em Portugal mais de 25 por cento da população refere queixas de rinite alérgica e mais de 1/5 das crianças entre os três e os cinco anos tem uma história clínica compatível com rinite».

Grupos de risco

Qualquer pessoa pode vir a sofrer desta doença que, embora não tenha cura, tem tratamento.

Sintomas

Os mais comuns são a obstrução nasal (entupimento) com possível limitação de olfacto e voz nasalada, espirros repetidos, comichão e pingo no nariz. Esta patologia pode provocar otites, sinusites e a tendência para ressonar.

Tratamento

Evite o contacto com desencadeantes das crises, como os ácaros, pólen de plantas ou alimentos. Adopte um estilo de vida saudável. Pratique desporto, não fume e respeite as regras de higiene alimentar e de ambiente. O médico poderá ainda receitar fármacos descongestionantes,
anti-histamínicos ou corticosteroides para controlar os sintomas.

Pneumonia

Traduz uma infeção ou inflamação nos pulmões que pode ser causada por vírus, bactérias, parasitas ou fungos. Normalmente, a doença desenvolve-se quando há uma falha nos mecanismos de defesa do organismo. É a principal causa de morte nos doentes internados por doença respiratória.

Grupos de risco

Atinge todas as idades, sendo mais frequente na criança e no adulto com mais de 65 anos.

Sintomas

A pneumonia bacteriana inicia-se abruptamente com febre, calafrios, dor no tórax e tosse com expetoração amarelada ou esverdeada. A tosse pode ser seca no início, a respiração fica mais curta e dolorosa, pode sentir falta de ar e ficar com a pele azulada em torno dos lábios nos casos mais graves. Nas crianças os sintomas podem ser vagos (diminuição do apetite, choro e/ou febre). Em alguns casos pode ocorrer dor abdominal, vómitos, náuseas, dor de garganta, espirros e dor de cabeça.

Tratamento

Cada caso é avaliado individualmente para definir o tipo de antibiótico a usar e a necessidade de internamento. Na maioria das pneumonias virais, o tratamento é de suporte, visando melhorar as condições do organismo para que este combata a infeção. Recorre-se ainda a dieta apropriada, oxigénio e medicação para dor e febre.

DPOC

A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) caracteriza-se por uma limitação do débito aéreo (ventilação) geralmente progressiva e originada por uma resposta inflamatória anómala dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos. Esta doença é causada, em mais de 85 por cento dos casos, pelo tabaco.

Grupos de risco

Atinge preferencialmente as pessoas acima dos 45 anos e pessoas com uma história de tabagismo superior a dez anos ou actividade profissional de risco respiratório comprovado, que são outros fatores de risco. É duas a três vezes mais frequente nos homens do que nas mulheres.

Sintomas

Os mais comuns são a tosse ou a produção de espectoração frequente, dispneia (dificuldade em respirar) e história de exposição a fatores de risco.

Tratamento

Normalmente são usados broncodilatadores para o controlo dos sintomas. No entanto, há evidência científica que parar de fumar é a única medida que contraria, efectivamente, a evolução da DPOC.

Gripe

É uma doença respiratória, infecciosa e altamente contagiosa. Existem três tipos de vírus (A,B e C), sendo o tipo A o mais prevalente e o que surge associado às epidemias mais graves. Pode parecer inofensiva, no entanto, «as epidemias sazonais e a eventualidade de uma pandemia impõem prevenção da doença, não só pelos riscos que acarretam, como pela possibilidade de abrir caminho a outras infecções e de agravar doenças crónicas de que o doente sofra» refere a ONDR.

Grupos de risco

Doentes crónicos (doentes cardíacos, pulmonares, insuficientes renais ou diabéticos) e todas as pessoas debilitadas do ponto de vista de defesa do organismo. Em termos de consequências mais graves destacam-se os idosos e as crianças entre os seis e os 23 meses.

Sintomas

Febre, dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar geral e tosse seca. A estes podem juntar-se arrepios e olhos lacrimejantes ou inflamados.

Tratamento

A melhor arma é a prevenção. Assim deve ficar em casa e repousar, evitar mudanças de temperatura e agasalhar-se demasiado, lavar as mãos com frequência e beber bastantes líquidos. A vacina é recomendada em especial para idosos, portadores de doenças crónicas e profissionais de saúde. Poderá ainda ter necessidade de tomar medicação, mas o seu médico dir-lhe-á o que será mais indicado.

Texto: Ana Lia Pereira

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