Alimentação e linguagem: que relação?

Pais devem estar alerta se crianças têm dificuldades em sugar na mama ou no biberão.
Será que existe uma relação entre o desenvolvimento da alimentação e o desenvolvimento da linguagem e da fala? E será que as crianças que se alimentam melhor falam melhor? O que significa alimentar-se bem? Significa mamar bem, saber engolir e mastigar ou comer de uma forma saudável?
Logo que o bebé nasce, é capaz de sugar na mama ou na tetina e tem de coordenar em simultâneo três funções principais: sugar, engolir e respirar.
Passados 4 a 6 meses terá de coordenar apenas o engolir com o respirar, quando come papas, e, a partir dos 8 meses inicia a mastigação que irá coordenar com a deglutição e a respiração.
Estas funções são fisiológicas, gradativas e desenvolvem-se de forma natural e espontânea à medida que a criança cresce e se desenvolve. Todas estas mudanças na alimentação, funcionam como um óptimo exercício para os músculos da boca, que são os mesmos que usamos para falar. É como se houvesse gradualmente uma preparação da boca tanto para nos alimentarmos como para falarmos.
Alimentação saudável e variada
Cada criança tem o seu ritmo e algumas prolongam as suas etapas na alimentação, e isso não significa, necessariamente, que irão ter dificuldades ao nível da fala ou da linguagem. No entanto, durante o desenvolvimento oral, estas funções têm um tempo próprio e seguro para acontecer, correndo o risco de se sobreporem umas às outras e de atrasar o seu desenvolvimento.
Assim é essencial que os pais e educadores estejam atentos aos sinais de alerta da criança como: ter dificuldades em sugar na mama ou no biberão, uso prolongado da chucha ou biberon, respirar pela boca e babar-se de forma exagerada, engasgar-se, vomitar ou tossir durante a alimentação, guardar a comida nos cantos da boca, ter dificuldades em mastigar e engolir, recusar alimentos de certas consistências, texturas, sabores e temperaturas, recusar lavar os dentes e perder de peso.
Deste modo, promover uma alimentação saudável, em que a criança terá gosto de se alimentar, em que saberá mastigar e engolir e que gostará de estar sentada à mesa com a família, constituirá um fator positivo para um desenvolvimento mais harmonioso da fala e da linguagem.
Por Joana Rombert, Terapeuta da Fala da SpeechCare e da Clínica da Criança e do Adolescente
artigo do parceiro:

Comentários