A Nutrição na Doença Alzheimer

À medida que a doença evolui, portadores perdem capacidade de deglutir com facilidade
A idade avançada sempre foi associada a distúrbios de memória e outras funções cerebrais. À medida que o indivíduo envelhece, ocorrem alterações cerebrais que causam alguma perda de memória e uma deterioração na capacidade de aprendizagem.



A preocupação associada a pequenos esquecimentos é frequente e acaba por ser normal com o avançar da idade. A confusão entre estes esquecimentos, característicos desta fase da vida, com algo mais grave como demências, é muitas vezes verificado junto da população idosa.



A doença de Alzheimer (DA) é a forma mais comum de demência. Representando entre 50% a 70% de todos os casos de demência, esta é uma doença cerebral degenerativa e progressiva, caracterizada por lesões que destroem as células cerebrais, ou impedem o seu normal funcionamento, alterando a capacidade cognitiva. Ao longo do tempo, as lesões vão abrangendo uma maior área cerebral, tornando os sintomas mais graves. Nestas situações, a capacidade de realizar tarefas simples da vida diária fica muitas vezes comprometida.



Com o progresso da doença, estes doentes vão eventualmente precisar de ajuda para as suas atividades diárias, acabando por ficar totalmente dependentes de terceiros. E a verdade é que esta doença pode condicionar a ingestão alimentar: numa fase inicial os doentes apresentam dificuldade na compra e confeção dos alimentos; esquecem-se de realizar as refeições; e por vezes têm dificuldade em identificar alimentos deteriorados.



À medida que a doença progride podem ingerir alimentos sem os deglutir e perdem a capacidade para utilizar os talheres e até mesmo para se alimentar autonomamente, levando a que muitos doentes venham a perder peso.



Há ainda alterações nas preferências alimentares. Os indivíduos começam a gostar de alimentos e sabores pelos quais não tinham interesse, e podem deixar de gostar de alimentos que sempre apreciaram. Também a ausência da sensação de sede é comum nos idosos, havendo ainda o perigo de disfagia, que se caracteriza pela dificuldade em deglutir líquidos e/ou sólidos.



Em situações de disfagia, o risco de desidratação é elevado. Sabendo que todos estes factores podem contribuir para a deterioração do estado nutricional de uma pessoa com DA, vale a pena enumerar algumas dicas que ajudem no processo. Por exemplo, a preparação de refeições com textura modificada é atualmente uma realidade, cuja variedade vai muito além da carne, peixe ou batata tudo muito bem passado. Não é aceitável, nos dias de hoje, fornecer a estes doentes este tipo de refeições, na sua maioria visualmente pouco apelativas, pouco apetitosas e nutricionalmente insatisfatórias.



Comida à boca



No mercado actual, já existem muitas refeições completas, baseadas em produtos alimentares tecnologicamente desenvolvidos com alteração da consistência (pastosa/mole). Com esta oferta, o alcance das necessidades nutricionais do doente demente torna-se facilmente atingível, evitando o risco de desnutrição associado. No caso de indivíduos com demência que apresentem dificuldade na coordenação motora, e consequente dificuldade na utilização dos talheres, a alimentação FINGER FOOD (alimentos ou produtos alimentares cujo consumo se pode fazer literalmente à mão) é uma excelente solução.



O finger food preserva a independência e autoestima do doente demente no momento das refeições. Desta forma, o doente não fica dependente da assistência de outra pessoa para se alimentar, permitindo também um melhor controlo sobre quando come e o que come. Não dá muito trabalho e poderá fazer toda a diferença. É preciso assegurar ao indivíduo com DA uma alimentação nutricionalmente adequada, saborosa e segura, essencial para manter um bom estado de saúde e qualidade de vida.



Por Catarina Sousa Guerreiro, Dietista


artigo do parceiro: Nuno Noronha

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