8 alterações que deve contar ao seu ginecologista

Os sinais de alarme e os focos de preocipação que não deve, de todo, negligenciar

A maioria não causa dor nem desconforto. Talvez, por isso, alguns dos sintomas e dos sinais que muitas mulheres vivenciam sejam, muitas vezes, desvalorizados.

E, embora atualmente as consultas ginecológicas de rotina tenham passado a fazer parte da agenda feminina, a verdade é que ainda existem muitas alterações importantes que não são vistas como preocupantes, acabando por ser negligenciadas.

Num estudo recente português, cerca de 70 por cento das mulheres declararam ter feito, pelo menos, um exame pélvico e 77 por cento uma citologia cervical. Conversámos com Lisa Vicente, ginecologista-obstetra, que, com base na sua prática clínica, revela os sinais que não pode deixar de contar ao seu ginecologista e os principais motivos que devem antecipar uma consulta.

Um guia que vai ajudá-la a proteger a sua saúde íntima. Conheça os sinais de alarme e os motivos que justificam uma consulta de ginecologia mas que, habitualmente, tende a ignorar.

1. Fluxo menstrual demasiado abundante

Se nota que o seu fluxo menstrual aumentou (tem que mudar de tampões ou pensos higiénicos, de hora em hora ou a cada duas horas), prolonga-se por mais dias e/ou perde coágulos de sangue, deve consultar um ginecologista. «Esta alteração pode estar associada a miomas ou pólipos do endométrio que provocam perdas de sangue e, consequentemente, anemia e que devem ser tratados», alerta a ginecologista Lisa Vicente.

2. Ausência de menstruação há dois meses

«A ausência de menstruação, por longos períodos de tempo, a partir dos 40/45 anos, pode não traduzir um sintoma da menopausa, como a maioria das mulheres pensa, e deve ser comunicada ao ginecologista», sublinha a médica portuguesa.

De acordo com a especialista, a amenorreia (ausência de menstruação), nestas idades, aumenta o risco de desenvolver alterações dentro do útero que podem provocar cancro do endométrio. Em idades mais jovens, o risco é reduzido. «Ainda assim, não deve, por isso, descurar uma consulta», ressalva a ginecologista.

3. Quer retomar a sua vida sexual

É importante conversar com o ginecologista sobre o método contracetivo mais adequado e discutir dúvidas essenciais para uma contraceção eficaz. «Em Portugal, o método mais utilizado é a pílula anticoncecional, cerca de 65 por cento das mulheres portuguesas tomam a pílula», segundo a ginecologista.

Mas existem muitas outras opções que devem ser ponderadas, nomeadamente, quando há efeitos secundários desconfortáveis e/ou as mulheres tendem a esquecer-se de tomar a pílula, frequentemente». O estudo já citado revelou também que 25 por cento das mulheres tiveram uma gravidez não planeada, devido a um descuido ou falha contracetiva.

4. Alteração do corrimento vaginal

Um corrimento esverdeado, amarelado e/ou esbranquiçado, com odor, ardor ou comichão é, geralmente, um sinal de infeções ginecológicas (candidíase, vaginose bacteriana, clamídia ou gonorreia) que devem ser devidamente diagnosticadas. Não tratadas, podem provocar desconforto nas relações sexuais e, até, provocar infertilidade.

5. Perdas de sangue fora do ciclo menstrual

Hemorragias fora do ciclo menstrual são um sinal de alarme, em qualquer idade. Podem denunciar alterações, como miomas, pólipos, lesões do colo do útero e infeções ginecológicas que devem ser diagnosticadas atempadamente.

6. Vontade de engravidar nos próximos meses

Se pretende engravidar, o primeiro passo que deve tomar é agendar uma consulta de ginecologia ou de planeamento familiar. «Antes de interromper a contraceção. O objetivo é modificar hábitos e identificar alterações que podem ser tratadas ou equilibradas, antes do início da gestação», aconselha a ginecologista Lisa Vicente.

«Isto porque as primeiras semanas de desenvolvimento embrionário são as mais sensíveis aos efeitos de agentes externos», explica. Entre os cuidados pré-concecionais mais importantes estão a alimentação equilibrada, a prática regular de exercício físico e a atualização do calendário das vacinas.

7. Perdas de sangue depois do sexo

Hemorragias após o ato sexual que ocorram de forma recorrente devem ser investigadas pelo ginecologista. Podem ser um sinal de alarme para lesões no colo do útero que podem evoluir para um cancro do colo do útero, se não forem tratadas.

8. Nódulos mamários

A maioria dos nódulos mamários (cerca de de 85 por cento) são benignos. No entanto, devem ser vigiados pelo ginecologista, de forma a despistar alterações como quistos e fibroadenomas e o cancro da mama, a patologia mais temida.

Citologia do colo do útero

É o exame ginecológico que permite detetar o cancro do colo do útero. No consultório, com a mulher em posição ginecológica (deitada de barriga para cima com as coxas afastadas e as pernas fletidas). O médico colhe uma amostra de células da superfície externa do colo do útero e do canal endocervical, com um instrumento específico (espátula ou escova). As células colhidas são depois observadas pelo especialista em laboratório que elabora um relatório.

O Plano Nacional de Saúde preconiza a sua realização a partir dos 25 anos. Para as mulheres mais jovens, a especialista Lisa Vicente recomenda «um ano depois de iniciar a sua vida sexual». «Na ausência de qualquer anomalia, deve ser repetido a cada três anos e quando muda de parceiro sexual», aconselha ainda a especialista.

4 factos que não deve esquecer de contar ao seu ginecologista:

1. Infeções urinárias de repetição ou ginecológicas que tem ou já teve.

2. Se já teve um herpes genital. «É uma informação importante para o planeamento da gravidez que as mulheres tendem a desvalorizar», alerta a ginecologista Lisa Vicente.

3. Cirurgias realizadas e doenças anteriores, mesmo as que não estão relacionadas com a ginecologia e a obstetrícia. «Podem ajudar a perceber, um dia mais tarde, um determinado sintoma e ajudar no diagnóstico de patologias ginecológicas».

4. Antecedentes familiares. «Cancros ginecológicos, como o cancro da mama ou do ovário, podem ter um carácter familiar e, nesses casos, a vigilância deve ser mais apertada».

Texto: Sofia Cardoso com Lisa Vicente (ginecologista-obstetra)

artigo do parceiro:

Comentários