Patologias cardiorrespiratórias nos animais: sinais a que deve estar atento

Atualmente os tutores dão cada vez mais atenção aos seus animais, quer no que diz respeito ao afeto, quer no que toca à deteção de mudanças nos seus comportamentos que anteriormente passavam facilmente despercebidas. Assim, os animais vivem cada mais tempo.
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No entanto, este aumento da esperança média de vida tem também consequências negativas porque traz consigo o aparecimento de várias doenças crónicas e oncológicas, contribuindo para o aumento da prevalência destes problemas de saúde animal. A par disso, o uso abusivo de inseticidas, detergentes e ambientadores pode também contribuir para o desenvolvimento de patologias cardiorrespiratórias como a asma ou a bronquite crónica.

Atentos ao impacto que as patologias cardiorrespiratórias têm na vida dos nossos animais de companhia, decidimos que esta seria uma boa temática a aprofundar na próxima edição do Congresso Hospital Veterinário Montenegro de forma a atualizarmos a classe veterinária sobre as melhores e mais eficientes técnicas de deteção e tratamento.

A asma, por exemplo, é muito frequente nos gatos e, caso não seja detetada e tratada atempadamente, causa sofrimento no animal e lesões irreversíveis, culminando em morte precoce. Quando um gato tem asma, fica com ruídos na respiração e com tosse pois, esta doença é causada pelo estreitamento das vias respiratórias do animal, dando-se a libertação de muco o que provoca dificuldades ao respirar. Gatos de raça siamesa ou com excesso de peso têm uma maior predisposição para este problema.

Os gatos que vivem em conjunto com outros gatos estão mais suscetíveis ao vírus do herpes felino, responsável pela Rinotraqueíte, vulgarmente designada por “gripe do gato”, não transmissível a humanos. Esta doença provoca espirros, secreções nasais, perda de apetite e feridas na cavidade oral, sendo que o quadro de doença pode durar até 3 semanas e causar perda de peso, desidratação e até morte, devendo por isso ser detetada numa fase inicial ou prevenida através da respetiva vacina.

Já as patologias cárdicas congénitas não são tão frequentes em felinos pois, a própria seleção natural acaba por evitar o nascimento destes animais ou causa a sua morte logo numa fase muito inicial da vida do animal, não permitindo por isso o diagnóstico. Em idades mais avançadas, a cardiomiopatia hipertrófica é a mais comum. Esta doença é, geralmente, provocada pelo hipertiroidismo felino e leva a uma redução do débito cardíaco, fazendo com que o gato fique mais apático, faça menos exercício e com uma respiração mais dificultada.

Nos cães, principalmente nas raças condrodistróficas (focinho curto/achatado), cada vez mais populares, como o Bulldog Francês ou o Pug, existem patologias congénitas que vulgarmente se definem como “Síndrome do Braquicéfalo”. Neste caso, o cão apresenta uma dificuldade respiratória que é agravada com exercício físico, stress e temperaturas elevadas.

Por isso, estes animais devem desde jovens ser avaliados clinicamente e, nalguns casos, ser sujeitos a diagnóstico broncoscópico, sendo que alguns podem necessitar de uma intervenção cirúrgica corretiva ao nível das narinas, palato mole e sacos laríngeos. Importa que os tutores percebam que, apesar, de o ressonar ou roncar dos cães com este problema possa ser considerado engraçado, para eles é muito prejudicial.

As patologias cardíacas congénitas são relativamente frequentes nos cães, manifestando-se, normalmente, por deficiências no desenvolvimento, apatia, fraqueza e tosse. O médico veterinário conseguirá detetar sintomas e perceber se existem critérios para realizar exames de diagnóstico como raio-X, eletrocardiograma, ecocardiografia. Algumas patologias têm tratamento cirúrgico outras são controladas medicamente, sendo que os animais mais velhos podem apresentar insuficiência cardíaca adquirida, associada ao músculo cardíaco ou às suas válvulas, e para tal também existem soluções eficientes.

No que toca a patologias cardíacas, o pior de todos os cenários é sem dúvida alguma a paragem cardiorrespiratória. É um episódio de verdadeira emergência e de difícil atuação e, em geral, os tutores que não tem conhecimento médico encontram-se sempre pouco preparados para agir nestas situações. Recomenda-se calma, e será importante em primeiro lugar garantir a segurança do socorrista e de seguida desobstruir a via área superior, insuflar ar nas vias áreas do animal, fazendo um túnel com as mãos entre a boca do socorrista e a boca do animal, que deve ir alternando com massagens vigorosas no tórax. Infelizmente, a taxa de sucesso diminui bastante se esta técnica não for executada nos primeiros minutos.

Já o colapso, não deixa de ser uma situação muito alarmante e complexa para um tutor. Esta situação distingue-se pela perda completa de atividade (desmaio), que normalmente surge como consequência de falta de oxigenação cerebral, sendo que a sua reversão depende daquilo que a causa:

  1. Assegurar uma boa função cardiorrespiratória – há muitas patologias que podem estar na origem do colapso, destacando-se a falha cardíaca, a falha de capacidade ventilatória e a hipotensão severa.
  2. O dono deve permanecer calmo e dirigir-se de imediato a um médico veterinário, se possível ligar no caminho para receber indicações mais precisas para cada caso pois, através de algumas perguntas podemos conseguir perceber a origem e indicar ao tutor o que fazer.
  3. O animal deve ser depois vigiado e medicado e deve ser feita uma investigação para que se identifique a causa do colapso e se defina o plano de tratamento.

De uma forma geral, se estivermos atentos aos nossos animais seremos capazes de evitar a progressão de diversas doenças e de evitar tratamentos mais complexos, para isso, devemos mantê-los bem cuidados, saudáveis e, acima de tudo, felizes e acarinhados.

Por Luís Montenegro, Médico Veterinário e Diretor Clínico do Hospital Veterinário Montenegro

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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