Vamos todos ao mercado

Marcámos uma visita de estudo ao Mercado 31 de Janeiro (Picoas), com duas dietistas que dedicam as manhãs a ensinar aos mais novos o que é comer de forma saudável.

Levar as crianças a um mercado onde os legumes são viçosos e os peixes são tratados pelo nome é mais do que uma experiência divertida: acima de tudo, permite alterar a forma como os miúdos comem. As turmas dos 3º e 4º anos de todas as escolas de Lisboa estão convidadas a participar nas visitas orientadas por Goreti Lopes e Marline Furtado, de 3ª a 6ª feira, no Mercado 31 de Janeiro. Nas férias, o programa está também aberto a ATL.

Este ano lectivo, as dietistas apontam para 90 turmas abrangidas nas visitas, entre 30 a 40 escolas públicas e particulares. Se fizermos uma média de 20 alunos por turma, são 1800 alunos a levar para casa os ensinamentos práticos de uma alimentação mais saudável. Levam também uma t-shirt e um saco com material para explicar aos pais, e há quem aproveite a visita para comprar alguns produtos frescos. Como grupo, desenvolvem na escola um trabalho sobre a pirâmide alimentar que depois integra a exposição patente no primeiro piso do Mercado. Mas o trabalho das dietistas não acaba aqui. Marcam sessões de sensibilização nas escolas que participaram na visita, para que os pais sejam também envolvidos. “Trabalhar só com as crianças ou trabalhar só com os pais não é suficiente”, explicam as dietistas da Câmara Municipal de Lisboa. O programa completo consiste na visita das crianças ao mercado, na aprendizagem dos princípios de uma alimentação equilibrada e na acção posterior para pais, onde se esclarecem dúvidas e se sugerem pequenas alterações na dieta das famílias.

Curiosamente, é junto dos professores que Marline e Goreti notam maior evolução a nível de interesse por uma alimentação equilibrada. “Há muitos pedidos, muitas vezes deixam reserva feita no ano anterior, para fazer a visita no Dia Mundial da Alimentação (16 de Outubro), porque vão falar disso na aula”. E há professores que “fazem tabelas com os lanches que se levam de casa”, para incentivar o consumo de alimentos saudáveis.

A acção “Vamos Todos ao Mercado” começa com uma breve explicação do que é um mercado, o que é uma dieta alimentar e para que serve a pirâmide dos alimentos. Depois começa a visita. Goreti Lopes leva consigo uma professora e um grupo rapazes para a banca de peixe, onde explica a diferença entre sardinha, pargo, garoupa, salmão, solha, rodovalho, carapau, peixe-espada, corvina… Um dos alunos diz que a dourada é o seu peixe preferido, outro pergunta como se apanham enguias sem levar um choque… No grupo de Marline Furtado, com outra professora e a parte feminina da turma, é a dona da banca que mete conversa: “alguém me viu no Goucha?”, pergunta, enquanto mostra um tamboril.

A visita prossegue para os outros sectores do mercado, onde se avalia a frescura dos alimentos, as formas de conservação e os instrumentos de trabalho. A seguir, há uma actividade lúdica em que uns alunos fazem de comerciantes, outros de consumidores, num jogo de faz de conta onde não faltam as frutas e legumes de brincadeira, o pão, o fiambre e o dinheiro para as trocas comerciais. Exige-se noções de economia doméstica e raciocínio matemático, não vá alguém comprar os ovos demasiado caros ou enganar-se nos trocos. Depois de um pequeno lanche (desta vez com pão a sério), as crianças levam para a escola a tarefa de conceber uma peça para expor no mercado, sob a orientação do professor. Os pais são convidados a visitar a exposição antes da acção de sensibilização sobre alimentação infantil que as dietistas vão fazer na escola.

Numa altura em que tanto se fala de obesidade infantil, “é preciso interiorizar a noção de que os hábitos que eles têm agora vão-se manter” insiste Marline. “Se uma criança está habituada a lanchar um bolo todos os dias, vai passar pela fase da adolescência e pela fase adulta a fazer o mesmo. É um mau hábito. A médio, longo prazo, há tendência para as pessoas não se preocuparem tanto, a desculparem a criança porque vai crescer e aquilo passa”. Goreti acrescenta: “ou pior, quando a criança é magra e os pais não têm qualquer sinal visível” do estado de saúde do filho. “As pessoas têm que se capacitar que tudo o que comemos conta. Para mal e para bem”.

Vamos Todos ao Mercado
Mercado 31 de Janeiro – Rua Engº Vieira da Silva
De 3ª a 6ª feira, entre as 09h30 e as 12h30
Câmara Municipal de Lisboa – Divisão de Gestão de Mercados e Lojas
Tel. 218 170 126/ 218 170 127
vamostodosaomercado@cm-lisboa.pt

Veja mais sobre este assunto em http://sabores.sapo.pt/saude-e-nutricao/artigo/a-alimentacao-da-crianca

Ana César Costa

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