Não se pode afirmar que há “maus alimentos”, mas há sem dúvida alimentos que, pelas suas características nutricionais, devem ser consumidos de forma moderada e menos regular. As escolhas alimentares devem, por isso, ser conscientes e responsáveis.

Na ausência de um profissional da nutrição/dietética no hipermercado (Nutritional Personal Shopper) que possa aconselhar, resta-nos o “bilhete de identidade” do alimento: O rótulo. A rotulagem alimentar é uma preciosa ajuda para orientar as nossas escolhas.

Por exemplo, sabia que os ingredientes estão escritos na lista de ingredientes por ordem de peso decrescente no momento da sua incorporação durante o fabrico do produto? E que a um produto light foi reduzido pelo menos 30% de um dos seus nutrientes (face a um produto semelhante), mas que isso não significa que o mesmo seja magro ou baixo em calorias? Sabia que para comparar produtos deverá fazê-lo analisando a tabela nutricional por 100g ou 100ml de alimento?

Para ajudar os consumidores nesta tarefa foi criado um sistema internacional, desenvolvido pela Food Standards Agency que, baseando-se em diversos estudos e com a consulta a vários stakeholders, criou um sistema gráfico que facilita a comparação e a escolha dos alimentos. Este sistema, denominado Semáforo Nutricional, consiste na atribuição de cores - verde, laranja e vermelho - aos nutrientes (gordura, gordura saturada, açúcar e sal).

Assim, e de acordo com os limites pré-estabelecidos por esta entidade, caso o nutriente esteja em baixa quantidade no alimento é representado a verde; se estiver em média quantidade é laranja; e caso esteja em elevada concentração será vermelho. A leitura do gráfico é muito intuitiva, já que ao olhar para a frente da embalagem encontrará uma série de “bolinhas” com estas cores. O objetivo para ter uma alimentação mais saudável passa por escolher o alimento que tiver mais nutrientes (“bolinhas”) a verde ou laranja e menos vermelhos. Assim, bastam alguns segundos para perceber quais as opções mais saudáveis. Não precisa fazer contas nem comparar números. Parece fácil, certo? E é fácil! Tão fácil que até uma criança consegue fazê-lo.

Foi, provavelmente, tendo em conta esta facilidade que a Assembleia da República numa das suas Resoluções deste ano (Resolução nº67/2012) defende o Semáforo Nutricional como uma ferramenta útil na prevenção da obesidade infantil, referindo que é necessária a “imposição progressiva da utilização de rotulagem alimentar simples e clara (por exemplo, semáforos nutricionais baseados nas recomendações nutricionais populacionais) na frente das embalagens dos produtos alimentares”.

Quem sabe se numa próxima ida a um hipermercado com o seu filho não se cruza com o Semáforo Nutricional e não transforma uma tarde de compras num divertido jogo educativo e saudável? “Filho, vamos reparar no que estamos a comprar. Lembras-te dos sinais de trânsito? Quando está verde o que significa? E quando está vermelho? Aqui é a mesma coisa, temos de procurar produtos com mais verdes e menos vermelhos. Ajudas-me a escolher?”

A mudança de atitudes e perceções necessita dum esforço continuado ao nível da promoção de comportamentos alimentares mais saudáveis pelo que é fundamental a união de todos os intervenientes neste desafio que é diminuir a taxa alarmante da obesidade infantil. Contribua também dando o exemplo aos mais novos.

Mayumi Thais Delgado
(nutricionista)