O que fazer para preservar a frescura dos alimentos

Mais de 20% das infeções alimentares tem origem em casa. As regras a seguir para garantir a segurança dos ingredientes que utiliza e dos pratos que confeciona.

A dimensão mediática com que são noticiadas as intoxicações alimentares sempre que envolvem um refeitório ou restaurante, onde o número de vítimas pode ser elevado, leva a crer que os espaços públicos são mais suscetíveis a estes incidentes. No entanto, embora as contaminações por água ou alimentos não sejam fáceis de quantificar em espaço doméstico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) avança com números.

A instituição acredita que mais de 20% dos casos registados resultam da falta de conhecimentos corretos dos consumidores sobre as regras de manipulação e conservação dos alimentos, em casa. A este propósito, especialistas apontam as regras que deve seguir para proteger a sua cozinha e os alimentos dos microrganismos patogénicos:

- Alimentos de risco

Alguns alimentos, pela quantidade de água que contêm, são mais sensíveis à contaminação, caso não sejam seguidos os procedimentos adequados. Como esclarece a nutricionista Beatriz Oliveira, «nas carnes vermelhas, aves, peixe, produtos láteos não pasteurizados, ovos, arroz e massas já cozinhados, assim como nos alimentos prontos a comer, os microrganismos utilizam os nutrientes e a água para se desenvolverem.

São considerados de alto risco porque as consequências do seu consumo, se não corretamente preparados, podem ser muito perigosas para a saúde pública, já que as bactérias se multiplicam facilmente». Ingerir carne mal passada, adverte a especialista, «representa um sério risco para a saúde, uma vez que a carne faz parte da flora natural dos microrganismos».

Ao contrário, acrescenta, «os cereais, o pão, o óleo, o sal e o açúcar têm um risco de contaminação com microrganismos patogénicos muito mais reduzido porque o teor de água é menor». Veja também a galeria de imagens que indica o tempo máximo que os alimentos devem permanecer no frigorífico.

- Tempo de vida

Quando permanecem demasiado tempo sem refrigeração, todos os alimentos são suscetíveis de serem afetados por agentes patogénicos. Alexandra Bento, em declarações à revista Saber Viver enquanto presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN), recorda que «a durabilidade de um alimento poderá ser verificada no rótulo», mas, no caso de alimentos cozinhados em casa e armazenados, estes «nunca devem ser expostos à temperatura ambiente por mais de duas horas».

Se forem conservados no congelador, continua a especialista, «a perecibilidade vai depender do tipo de alimento. São 12 meses para a carne de vaca e a maioria das hortaliças e cerca de dez para o frango. Para a carne de porco, de caça, peixes magros, ovos, manteiga, tartes e salgados é de seis meses e nos peixes gordos, marisco, natas, massa para bolos, pão, pratos cozinhados e preparados industrialmente é de cerca de três meses.

A carne picada e as salsichas apenas se mantêm cerca de dois meses». Em caso de dúvida quanto à perecibilidade de um alimento, a nutricionista avisa que «deve sempre ser rejeitado».

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