O cogumelo mais perigoso

O Amanita phalloides aparece no outono e na primavera em todos tipos de floresta, sendo muito comum em várias regiões de Portugal. Conheça a espécie que mais vítimas faz por falta de informação

As épocas de chuva são alturas cuja abundância de cogumelos silvestres nos atrai ao seio da floresta. Embrenhados nesta abundância, há que ter em conta que o consumo de cogumelos silvestres é uma prática quase obrigatória em vários locais do nosso país e por esse motivo, tal como a colheita de outros produtos da floresta, nomeadamente bagas ou plantas, há sempre risco. Infelizmente, todos os anos são noticiadas pelos meios de comunicação social situações dramáticas, que é imperioso combater.

Relembro que o conhecimento popular não chega e que não há regras milagrosas para distinguir um cogumelo comestível de um tóxico e, por isso, torna-se imperioso alertar que os mitos criados em torno do alho e da prata, entre muitos outros, são falsos. A espécie número um que os apanhadores devem obrigatoriamente conhecer é aquela que mais vítimas têm causado no nosso país.

É por aí que devemos começar e por isso apresento-vos a Amanita phalloides, que se distingue pelas suas características, nomeadamente o seu chapéu amarelo-esverdeado em tons oliváceos. Por baixo do chapéu há lâminas brancas que não mudam de cor. O pé possui um anel branco muito frágil, que por vezes cai com o tempo.

O pé é esbranquiçado com um zebrado branco-esverdeado. Pé alto, por dentro oco, alargado na base e terminando com uma volva ampla e branca (em forma de saco). Esta espécie de cogumelo aparece no outono e na primavera em todos tipos de floresta, sendo muito comum em várias regiões de Portugal.

Porque é tão perigoso?

Porque depois de cozinhada cheira e sabe bem e as toxinas não são destruídas pela cozedura ou secagem.

Quais os sintomas de intoxicação?

Esta intoxicação consiste em três fases. Após a ingestão, os primeiros sintomas manifestam-se entre as 6 a 24 horas. Nesta fase os sintomas são de mau estar, dor abdominal, diarreia e vómitos, assemelhando-se a uma gastroenterite com duração de dois a quatro dias. Depois, inicia-se um período de aparente melhoria.

Esta fase leva erroneamente ao pensamento de que a vítima se encontra fora de perigo. A terceira fase é a mais grave e acontece por volta do terceiro dia após a ingestão dos cogumelos em que a toxina ataca fortemente o fígado.

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