Há quem prefira a marmelada mas o marmelo é que faz bem à saúde

Símbolo da fertilidade desde os tempos da antiga Grécia, este fruto, muito rico em vitaminas A, C e E, tem também propriedades que combatem a anemia, o mau colesterol, a diarreia e o cansaço.

É um fruto que está longe de figurar nas preferências das novas gerações, que se ficam muitas vezes pela deliciosa marmelada confecionada com ele, mas os benefícios do marmelo, Cydonia oblonga na sua designação científica, para a saúde são muitos. Além de ser rico em vitamina A, em vitamina C, em vitaminas do complexo B e em vitamina E, também fornece fibras solúveis, potássio, ferro, cobre, ácido málico e pectinas.

Tem, ainda, propriedades antisséticas e antiespasmódicas. Adstringente e calmante, também ajuda a reduzir a absorção de colesterol devido à quantidade relevante de fibras solúveis que concentra. O marmelo é um fruto baixo em calorias, contendo apenas 25 kcal por cada 100 gramas. Como contém uma elevada quantidade de água na sua composição, contribui para uma boa e adequada a hidratação do organismo.

Além de ser um um calmante natural, também combate a anemia. Esta fruta pode ser usada para aliviar sintomas de inflamação de garganta. Nesse caso, devem cozinhar-se alguns frutos inteiros, com pele, polpa e semente, cozendo-os em água açucarada. Depois de cozidos, coe-os e conserve-os em frascos de um vidro. No momento de usar, misture uma colher do líquido com um pouco de água morna e gargareje.

O marmelo, consumido em cru, assado ou cozido, também combate a exaustão física e mental, abre o apetite de crianças e adultos com dificuldades de se alimentar, ajuda a tratar aftas, males nas gengivas e inflamações estomacais. Muitos especialistas garantem que ajuda a curar queimaduras e a disfarçar fissuras e cicatrizes na epiderme, para além de limpar a pele. Além disso, estimula o fígado, evita os vómitos e combate a gota.

As melhores formas de consumir este fruto

Os marmelos em geral, pela sua alta adstringência, pela sua dureza e pelo seu sabor amargo, mesmo quando maduros, não devem ser consumidos crus. Devem, preferencialmente, ser cozinhados. A maneira mais comum de os consumir é em marmelada, mas também se confeciona geleia com as cascas e a zona dos caroços. Também podem ser simplesmente cozidos com açúcar ou até mesmo assados.

Uma famosa marmelada é a marmelada branca de Odivelas, muito apreciada e procurada. Em muitos países tropicais, a goiaba-comum e outras frutas do género Psidium substituem o marmelo para os mesmos usos. Existem escassas variedades com origem no Leste Europeu, com a polpa mais macia e sem adstringência, que podem ser consumidas ao natural. O seu teor de pectina também é reconhecido.

Cultivo e colheita

O marmeleiro, cientificamente batizado Cydonia oblonga, é um arbusto ou pequena árvore originária da Ásia Central, mas amplamente cultivado na Europa, na Ásia e até mesmo em certas zonas do hemisfério sul de clima mais temperado, como o Chile, a Argentina e o Sul do Brasil. Pertence à família das Rosaceae, onde se incluem espécies como a macieira e a pereira-europeia e é atualmente o único integrante do género Cydonia. Cultivado há milhares de anos, é considerado um símbolo de fertilidade.

O cultivo do marmeleiro em Portugal não é dos mais expressivos. O marmeleiro surge muitas vezes espontaneamente nas bermas dos caminhos ou em terrenos agrícolas abandonados e é aí que é feita a colheita das frutas, sobretudo no que concerne ao autoconsumo em muitas zonas rurais. As variedades cultivadas são geralmente de melhor qualidade, sendo os frutos menos adstringentes.

Apesar dessa característica, são também mais saborosos e de maiores dimensões, como, por exemplo, a gamboa. A produção portuguesa é bastante pequena se comparada com países como a Turquia, a China ou o Uzbequistão, os três maiores produtores mundiais, e destina-se essencialmente à produção de marmelada, que muitos portugueses continuam a apreciar, além de alguma venda a retalho.

Veja na página seguinte: Os cuidados a ter com o cultivo do marmeleiro

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