Diz-me o que comes, dir-te-ei como és

Informações recentes dizem-nos que os portugueses não são o melhor exemplo no que toca a uma alimentação equilibrada. Mas, no Dia Mundial da Alimentação, há quem queira ser contra corrente.

De acordo com os dados do Inquérito Alimentar Nacional, publicado em março deste ano, mais de metade da população portuguesa tem excesso de peso (57%), e não segue as recomendações da dieta mediterrânica.

Isabel Afonso, de 33 anos, percebeu que tinha de cortar com a sua rotina alimentar e decidiu fazer aquilo que se espera de uma pessoa que quer perder peso: começou a fazer dieta. “Comecei a fazer dieta em dezembro passado porque comecei a notar algumas dificuldades no meu corpo, nomeadamente dores nos joelhos, dores nas costas, e percebi que isso estava relacionado com o peso”, explica.

Apesar de sempre ter praticado algum tipo de atividade física, “sentia-me muito mais cansada, sem energia e chegou uma altura em que pensei ‘Chega, sou nova demais para estar a passar por estas coisas e não vale a pena’”.

Esta decisão não foi tomada de ânimo leve. Além dos 15 quilos a mais que tinha que carregar todos os dias, o fator decisivo para mudar de estilo de vida é a vontade de ser mãe, e o número que aparecia na balança fizeram disparar o alarme.

“A nutrição e a alimentação saudável começam a ganhar um destaque cada vez maior e nos dias de hoje é um dos temas do momento. Contudo é apenas um início”, assegura nutricionista Mariana Abecasis.

A nutricionista relembra que “a modernização, a industrialização, a moda de fast food, o desejo de facilitismo que se vive hoje, e que inevitavelmente se estende à alimentação e que se reflete em alimentos pré-feitos, com excesso de gordura, sal e açúcar, têm sido a nossa realidade nas últimas décadas”, e desta forma, “os valores da obesidade refletem a realidade que se tem vivido ao longo dos últimos anos e não, necessariamente, as tendências e o momento atual”.

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A influência que a alimentação pode ter no nosso corpo foi algo que Francisca Guimarães, autora do blogue Miss Kale, de 30 anos, aprendeu da pior maneira. Depois de um problema de acne que a afetou durante vários anos, Francisca descobriu o poder que os alimentos e o tipo de alimentação que fazemos podem ter no nosso dia a dia.

“Eu estava tão desesperada por ninguém me conseguir ajudar com o acne - com 23 tinha acne há 10 anos - que comecei sozinha a estudar e, como tinha base de enfermagem, consegui pegar em livros de medicina natural e lê-los perfeitamente porque conseguia entender os termos”.

Francisca, que já não come carne desde os 14 anos, mudou os seus hábitos alimentares e num espaço de um ano o acne desapareceu. “Eu quero lá saber do que digam da comida, eu não volto a comer o que comia. Eu estava a sentir-me como nunca antes me tinha sentido. Eu sentia-me viva”, relembra.

A sua mudança no estilo de vida, e sobretudo as mudanças no seu corpo, serviram de motivação para aqueles que a rodeavam para adotar alguns dos seus hábitos alimentares que consistem em consumir alimentos o mais naturais possível, muito à base de frutas e vegetais.

“A verdadeira beleza passa pelo estado de saúde e o estado de saúde não é propriamente a ausência de doença. É ter um corpo a funcionar como foi criado para funcionar que é sem qualquer sintoma é sem qualquer problema no fundo”, conclui.

Mas Francisca assume que esta transição nem sempre foi fácil uma vez que havia muitas críticas à sua volta ao tipo de alimentação que levava. O seu caminho foi flexibilizar e deixar de ser cada vez menos fundamentalista.

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