Dieta saudável anti-cancro da mama

O que ingere pode condicionar o aparecimento e a evolução da doença. Siga as recomendações preventivas de Ana Paula Avillez, médica imagiologista especialista em senologia

A dieta pode influenciar o risco de cancro da mama? A questão já foi colocada por muitos médicos e por muitos especialistas internacionais. Com base em vários estudos é credível que o tipo de alimentação esteja de alguma forma relacionado com o risco de cancro da mama. Trata-se de uma doença seis a dez vezes mais frequente nos países ocidentais do que nos asiáticos. Esta diferença não é, pelo menos em grande parte, devida a fatores genéticos.

Estudos comprovam a descendência das mulheres asiáticas que migram para países com elevado risco, como por exemplo os Estados Unidos da América, que acabam por ter uma incidência sobreponível à da população hospedeira, ao fim de cerca de duas gerações. Através do cruzamento de dados recolhidos em várias observações, admite-se que as dietas hipercalóricas, típicas dos países ocidentais, possam ter alguma influência.

Ricas em gorduras saturadas, açúcares, produtos industrializados e agentes de conservação, aumentam o risco de cancro da mama. Alimentos ricos em gordura saturada (carnes vermelhas, lacticínios gordos como a manteiga, as natas e os queijos gordos), assim como os alimentos com eles cozinhados (doces, folhados, bolos), estão associados a aumento do risco de doença arteriosclerótica (depósito de gordura nas artérias).

Alimentos com menos efeitos arterioscleróticos

Alimentos ricos em gorduras insaturadas (azeite e óleo de soja e girassol) têm menos efeitos arterioscleróticos. Parece assim razoável, com base nos dados disponíveis relativamente ao cancro da mama e da doença arteriosclerótica, aconselhar uma alimentação mais rica em gorduras saudáveis insaturadas (mono e polinsaturadas), com o aumento do consumo de azeite, de soja e de outras fontes das mesmas, nozes e óleos vegetais, ricos em ácidos gordos ómega 6, de peixes gordos, ricos em ácidos gordos ómega 3, em vez de carnes, laticínios e alimentos processados.

Relativamente aos laticínios, admite-se que fundamentalmente o queijo e o leite gordos estejam associados a um aumento do risco de cancro da mama. Também o consumo elevado de álcool está associado a aumento do risco de neoplasia da mama. Os fitoestrogéneos correspondem a produtos que contêm estrogéneos em plantas. «Fito» significa planta em grego.

Dentro destes encontram-se a soja, os cereais, como o trigo, o arroz integral, a cevada, a aveia integral, a cenoura, a cebola, o milho, o feijão, a ervilha, vários frutos, como as cerejas, as maçãs, entre outros. A forma de se assegurar a presença de fitoestrogéneos na dieta é tendo uma alimentação rica em fruta e vegetais. Admite-se que a abundância destes produtos nas dietas dos países orientais possa estar relacionada com a baixa incidência do cancro da mama nos mesmos. Contudo, ainda nada está provado.

Veja na página seguinte: Os alimentos envolvidos no controlo da multiplicação celular

Comentários