Dieta da cintura perfeita

Aprender a comer para perder quatro quilos sem ter de ir ao ginásio

Emagrecer sem ter de passar horas e horas a suar e a fazer exercício é o sonho máximo de quem pretende exibir um corpo magro, firme e tonificado. Para o autor desta dieta,
C. W. Randolph Junior, um obstetra e ginecologista
norte-americano, os quilos que as pessoas vão acumulando à volta da cintura depois dos 30 anos (mulheres) ou dos 40 anos (homens) estão pouco relacionados com as calorias ingeridas ou com a falta de vontade de fazer abdominais.

Este médico, que se dedica há mais de duas décadas a ajudar mulheres a perder peso, defende a ideia de que a gordura abdominal é o sinal externo de um desequilíbrio hormonal, conhecido como domínio do estrogénio, e que acontece quando a produção deste
não está em equilíbrio com a de progesterona.

Quando há demasiado estrogénio a circular no corpo, a gordura corporal aumenta e os tecidos adiposos produzem e armazenam mais estrogénio, fazendo com que o corpo seja incapaz de usar eficazmente a gordura armazenada para produzir energia.

Se esses elevados níveis de estrogénio não forem contrabalançados por uma quantidade suficiente de progesterona, a gordura vai acumular-se sobretudo
na cintura. O domínio do estrogénio torna ainda as hormonas disfuncionais, fazendo com o metabolismo corporal fique mais lento.

Público alvo

Esta dieta destina-se sobretudo a mulheres com mais de 30 anos e homens com mais de 40 anos mas também a pessoas que tenham engordado cinco ou mais quilos durante o último ano, indivíduos com sintomas de ansiedade, depressão e fadiga e ainda mulheres que apresentam sensibilidade nos seios, dores de cabeça, enxaquecas, distúrbios digestivos, pensamento confuso, perda de memória e pouco desejo sexual há mais de três meses.

Este regime alimentar hipocalórico é ainda indicado para pessoas que estão expostas com frequência ao estrogénio ambiental ou xenoestrogénio, indivíduos que se encontram nos pesticidas, nos plásticos, nos combustíveis, nos gases de escape automóvel e/ou no lixo industrial, entre outros.

Alimentação a seguir

Para além dos alimentos essenciais, deve comer uma dose de proteína a cada refeição sob
a forma de carne, peixe, leguminosas, ovos, grão, feijão, duas doses por dia de cálcio, que pode ser encontrado nos lacticínios, espinafres e feijão. Tempere os alimentos com azeite,
ou óleos de canola e linhaça.
Beba oito copos de água por dia.

Suplementos necessários

Esta dieta incentiva o uso de suplementos nutricionais que acentuam o equilíbrio hormonal, tais como
D-glucarato, diindolilmetano, vitaminas dos complexos B e E, composto
de cálcio-magnésio, DHEA e/ou quitosano.

É obrigatório, para quem segue este regime, fazer uma lista dos alimentos que deve adquirir antes de ir às compras, comer três refeições por dia e nunca saltar o pequeno-almoço, se o fizer provavelmente o seu metabolismo vai desacelerar.
Manter um registo semanal de perda de peso
e uma agenda alimentar diária.

Plano alimentar a seguir

- Legumes crucíferos
Deve ingerir duas a três doses por dia, sobretudo brócolos, espargos, couve-flor, espinafres, couves-de-bruxelas, aipo, beterraba, couve-galega, repolho, caule de salsa, rabanete, nabo e/ou couve-frisada. Melhoram a produção de estrogénio bom (E3)
que, segundo alguns estudos, protege
do cancro.

- Citrinos
Uma dose por dia. Laranja, toranjas, tangerinas, limões e limas são as melhores opções. Promovem a desintoxicação
do estrogénio.

Veja na página seguinte: Os alimentos proibidos nesta dieta

- Fibras insolúveis

Duas doses
por dia recomendadas. A lista dos alimentos a ingerir nesta categoria inclui cereais integrais, pão de trigo integral, arroz integral, farelo de trigo, cuscuz, cenouras, curgetes, aipos e tomate. Além de muito saudáveis e nutritivos, estes alimentos ajudam a diminuir a sobrecarga de estrogénio.

- Lignanas
Deve procurar ingerir duas a três doses por dia, nomeadamente sementes de linhaça, sementes de sésamo e óleo de linhaça. As lignanas reduzem a actividade do estrogénio ao nível celular.

- Alimentos proibidos
Hidratos de carbono não integrais, cafeína, álcool e alimentos ricos em gorduras saturadas e em fitoestrogénios. Evite-os a todo o custo!

A opinião de Alva Seixas Martins

«Como dieta restritiva é muito saudável
e tem vários benefícios para a saúde,
ajuda na prevenção de cancro e na
melhoria dos níveis de açúcar nos
diabéticos, pode é não ser adaptada para
toda a gente», assegura Alva Seixas Martins, nutricionista. Essa não é, contudo, a única vantagem deste regime.

«Aborda também uma
questão sobre a qual pouco se fala que
é a ingestão de fruta em excesso. Apesar
de ser saudável, não é a melhor opção
para as mulheres na pré-menopausa
e na menopausa e esta dieta aconselha,
apenas e bem, duas porções de fruta por
dia, uma citrina e outra. Outro aspecto
importante é o facto da proteína estar
presente em todas as refeições, não
se correndo assim o risco de perder
músculo», refere ainda.

Mas este tipo de regime dietético também tem desvantagens. «A justificação para esta dieta é que pode
ser mais discutível. As pessoas engordam
a partir dos 30 anos porque ficam mais
sedentárias. A partir dos 40 anos e
quanto mais se aproxima a menopausa
há de facto alterações hormonais», sublinha a nutricionista.


«A hormona dominante passa a ser
o estrogénio e há uma diminuição mais
abrupta da progesterona. Isso altera
a forma como o nosso metabolismo
funciona e as zonas onde a gordura se
deposita. O médico faz ainda um grande
apelo aos cremes com progesterona
e acho que isso deve ser discutido
com o médico de família, ginecologista
ou endocrinologista. Há também uma
restrição de lacticínios que não será
necessária, pelo menos para a maioria
das pessoas», conclui.

Texto: Rita Caetano com C. W. Randolph (obstetra e ginecologista) e Alva Seixas Martins (nutricionista)

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