Alimentação infantil e juvenil, reeducar hábitos

O ritmo de vida das sociedades é cada vez mais acelerado. O tempo é pouco para todos os nossos afazeres. Mudaram-se hábitos, opta-se por uma alimentação acelerada. Crianças e jovens não fogem à regra.

Cozinhar, era outrora um acto planeado, moroso e elaborado. Actualmente a maior parte das famílias não tem tempo para tal e assim recorre muitas vezes a refeições pré-feitas e congeladas.

Perderam-se hábitos alimentares saudáveis. As proporções alimentares a ingerir dos vários alimentos foram esquecidas. Pais, educadores e escolas devem combater esta tendência e fazer um esforço para reeducar e mudar urgentemente estes novos hábitos alimentares, pois se a obesidade nos adultos tem vindo a aumentar, nas faixas etárias mais jovens também os números são alarmantes. Para além da perda de qualidade de vida associada com o perigo do aparecimento de doenças crónicas (diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e osteoarticulares, etc) surge também a discriminação social e consequentes doenças do foro psicológico (depressão, apatia).

Com algum esforço e dedicação em casa é possível fazer refeições saudáveis e assim controlar os alimentos ingeridos pelos jovens. Contudo, é fora de casa que surge o problema. Não é novidade que se perto de uma escola existirem cafés e supermercados estes são a escolha preferencial dos mais novos para fazerem as suas refeições de meio da manhã e tarde e almoço. Almoçar no refeitório da escola nem sequer é muitas vezes considerado como opção. Os alimentos escolhidos são, como todos sabemos, os menos saudáveis; pizzas, hambúrgueres, bolos, refrigerantes, chocolates, batatas fritas. Legumes, frutas e cereais, os alimentos que devemos comer em maior quantidade não constam certamente das suas preferências. Ingerem uma enorme quantidade de calorias numa única refeição que em termos de nutrientes é pouco ou nada significativa.

É necessário encontrar soluções e contrariar estes hábitos. Há que fazer uma abordagem directa; falar e expor aos jovens os problemas futuros que poderão advir das más escolhas alimentares. Depois há pequenos gestos que poderão ajudar. É fundamental começar o dia com uma refeição nutritiva, por isso o pequeno-almoço deve ser sempre tomado em casa e todos os membros da família devem estar sentados à mesa, os pais devem dar o exemplo. Para o meio da manhã e da tarde devem ser preparados lanches constituídos por peças de fruta, iogurtes, pacotinhos de leite, barras de cereais integrais, pacotinhos de bolachas integrais. Certificar-se de que sempre que possível o jovem almoça em casa ou sendo impossível que compra antecipadamente as senhas para o refeitório escolar e se neste caso houver queixas sobre o funcionamento do mesmo apresentar estas questões como encarregado de educação no estabelecimento de ensino. Também é de extrema importância que o jovem não possua demasiado dinheiro, pois desta forma adquire mais facilmente os alimentos apetecíveis. Sendo a adolescência uma fase em que o corpo é uma grande preocupação deve ser referido que a boa aparência física é conseguida com uma boa alimentação e prática regular de desporto.

É óbvio que uma alimentação correcta não invalida a ingestão ocasional dos ditos alimentos “apetecíveis e pouco saudáveis”, até porque a sua total proibição pode impedir a abertura e vontade do jovem para a mudança nos hábitos alimentares. Tal como em qualquer situação quotidiana há que usar o bom senso.

Lembre-se sempre que uma alimentação correcta é também uma forma de prevenir doenças e gastos financeiros no tratamento das mesmas.

Alexandra Costa (Técnica Alimentar)

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