Aceita um café?

Os efeitos, a dose ideal e as diferentes espécies desta bebida, considerada mágica

É uma das bebidas preferidas de milhões de pessoas em todo o mundo e considerada um ritual incontornável para um despertar eficaz. É também o motivo ideal para uma pausa no trabalho ou o remate perfeito de um grande jantar.

Se faz parte do seu clube de apreciadores, descubra, com a ajuda de uma nutricionista e de um especialista na matéria, quais os benefícios e cuidados na hora de escolher... e tomar um café!

Os efeitos

A ingestão moderada de cafeína, uma substância presente no café, aumenta o estado de alerta e potencia os níveis de energia. De acordo com Alexandra Bento, nutricionista, para além de estimular o sistema nervosocentral, a cafeína apresenta acção diurética, dilata as vias respiratórias, estimula a produção de ácido no estômago e aumenta ligeiramente a tensão arterial, dando sensação de menor cansaço.

Segundo a especialista, alguns estudos sugerem que o consumo de café, sobretudo quando preparado à moda dos países escandinavos (fervido e não filtrado) ou em cafeteira (french coffee), está associado a um aumento dos níveis de colesterol total e colesterol LDL (mau colesterol). Isto deve-se à presença de duas substâncias (cafestol e cafeol) que existem nos grãos de café. No entanto, quando o café é filtrado, estas ficam retidas no filtro de papel, não exercendo influência nos níveis de colesterol.

Dose certa

Segundo Alexandra Bento, o consumo de café, em doses moderadas, não provoca transtornos em pessoas que gozem de boa saúde física e mental. Assim, para adultos saudáveis, acrescenta, a ingestão de cafeína develimitar-se a um máximo de 300 mg/dia, sendo que, de acordo com a Roda dos Alimentos, um café expresso comprido tem, em média, cerca de 125 mg de cafeína, enquanto um café curto tem aproximadamente 104 mg deste estimulante.

Contudo, o consumo de cafeína pode criar habituação. A ingestão excessiva de café pode causar, entre outros efeitos, ansiedade, insónia, irritabilidade e taquicardia, refere a nutricionista, sendo que uma pessoa que esteja habituada a tomar café regularmente, ao deixar de consumir de forma súbita e total, pode sentir, por exemplo, dores de cabeça, tremores, ansiedade e letargia (sintomas de privação).

As várias espécies

O café provém de uma planta com várias espécies, sendo a mais apreciada a que é originária dos planaltos etíopes. A espécie Arábica é produzida essencialmente na América Latina, na Africa de Leste e em algumas zonas da Ásia. Segundo Rui Carneiro, da Associação Industrial e Comercial do Café AICC, é sabido que as misturas de Arábica produzem melhor café, com elevada acidez, um aroma refinado e sabor residual a caramelo.

Existe ainda a Robusta, a espécie que se produz mais facilmente, graças ao acesso facilitado a maiores quantidades com menores custos de aquisição. O café Arábica tem menor teor de cafeína, mais intensidade de sabor e é menos amargo. Os valores médios para o café torrado e moído são 1,3 por cento para o Arábica e 2,4 por cento para o Robusta. Em consequência, a quantidade de cafeína ingerida com uma chávena de café varia muito consoante o lote que utilizarmos, refere. Apesar das suas diversas qualidades, o Arábica não produz um creme tão espumoso como o Robusta.

Quanto custa o café mais caro

Segundo dados fornecidos pelo El Corte Inglés, os lotes mais correntes, do Brasil e da Colômbia, rondam os 13 e os 15 euros/kg. Se quiser apostar numa excentricidade, encontra o café Kopi Luwak, originário da Indonésia, por 600 euros/kg.

Texto: Raquel Pires com Alexandra Bento (presidente da direcção da Associação Portuguesa dos Nutricionistas) e Rui Carneiro (engenheiro da Associação Industrial e Comercial do Café)

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