A nova dieta nórdica

O regime alimentar mediterrânico é tão saudável que o melhor restaurante do mundo ajudou a transpô-lo para o norte da Europa. Saiba o que muda

É reconhecida pelos benefícios que tem para a saúde e em dezembro de 2013 foi classificada como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A dieta mediterrânica, lê-se no site da Associação Portuguesa de Nutricionistas, é, na verdade, muito mais do que um regime alimentar. Traduz um modelo de vida saudável, combinando ingredientes da agricultura local, receitas e formas de cozinhar próprias de cada lugar, refeições partilhadas, celebrações e tradições. Mas foi precisamente este estilo de vida característico de países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia, que investigadores da Dinamarca tentaram transpor para a realidade dos países nórdicos.

Para o conseguirem, tiveram a colaboração de chefs do Noma, restaurante considerado o melhor do mundo. Assim surgiu a nova dieta nórdica. Em 2014, no congresso anual da Sociedade Europeia de Cardiologia, foram apresentados os resultados de um estudo comparativo entre dois regimes alimentares. No total, 181 pessoas com obesidade visceral, mulheres com um perímetro de cintura superior a 80 centímetros e homens com esse valor superior a 94 centímetros, tinham sido monitorizadas durante 26 semanas.

Divididas aleatoriamente em dois grupos, umas seguiram uma dieta semelhante à normalmente adotada pela generalidade dos dinamarqueses. As restantes, seguiram a dieta nórdica, baseada em ingredientes orgânicos, locais, saudáveis e sustentáveis. No final, apurou-se que os participantes do segundo grupo tinham registado mais melhorias nos níveis de pressão arterial e perdido mais peso. Em média, 4,7 quilos.

Parceria de peso

As conclusões não foram surpreendentes, já que a dieta nórdica, explicou Thomas Meinert Larsen, coordenador do estudo, foi pensada para ajudar os dinamarqueses a superarem as dificuldades em aderir à dieta mediterrânica, cujos benefícios para a saúde estão há muito comprovados pela ciência. Daí que os 15 grupos alimentares que integra, incluindo fruta e vegetais, ervas frescas, plantas e cogumelos selvagens, grãos integrais, peixe, marisco e algas, se incluam na pirâmide alimentar mediterrânica.

A preocupação com a utilização de produtos locais e orgânicos ocupou um lugar central, pelo que foi pedido a chefs do restaurante Noma, considerado o melhor do mundo e reconhecido pela utilização de ingredientes nórdicos e integrados na cultura local, que desenvolvessem receitas adaptadas à dieta. Os participantes do segundo grupo receberam um livro de receitas e três planos de refeição por cada estação do ano, adequados à sazonalidade dos ingredientes.

Sustentabilidade

Em declarações à Prevenir, o investigador revelou a tendência preocupante para a população dinamarquesa adotar uma alimentação «frequentemente muito rica em alimentos pouco saudáveis, como doces, bolos e vários tipos de fast-food, incluindo carne processada», e para haver «um aumento das crianças que se tornam obesas». Também as preocupações com o meio ambiente e a balança comercial nórdica motivaram a criação da dieta. «Ao longo dos últimos 30 anos, as pessoas têm comido cada vez mais alimentos importados de países longínquos», refere.

«Porque haveriam os países nórdicos de importar grandes quantidades de alimentos dos países mediterrânicos se podemos fazer refeições igualmente saborosas, saudáveis e ainda mais sustentáveis usando produtos que podemos produzir nos nossos próprios países?», questiona ainda o responsável.

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