A importância da água

Devemos encarar a ingestão de água como um prazer e não um sacrifício

Sem água nenhuma espécie vegetal ou animal, incluindo o homem, poderia sobreviver. Cerca de 70 por cento da superfície terrestre está coberta por água e esta ocupa mais de 60 por cento do nosso corpo. Aliás, a água é tão preciosa à sobrevivência que, para os povos que atualmente vivem situações extremas como a guerra, a maior preocupação não é o abastecimento de alimentos, mas sim o fornecimento de água. Aliás há quem preveja, a partir da metade deste século, guerras pela posse deste precioso líquido, pelo que o seu uso deve ser racional.

Como o nosso organismo não consegue armazená-la indefinidamente, devemos ingerir água com regularidade. Com o ritmo de vida actual, a poluição e a falta de tempo para cuidar da nossa saúde, essa necessidade é premente. A água está presente no nosso organismo, nomeadamente no sangue, nos tecidos e nas células. A título de curiosidade, saiba que o cérebro humano é constituído por mais de 70 por cento de água e, se esta percentagem diminuir em 2 por cento, as nossas capacidades físicas e intelectuais podem diminuir em cerca de 20 por cento. A água participa ativamente na digestão, na absorção, circulação e eliminação de muitas substâncias, ou seja, em quase todos os processos fisiológicos inerentes à nossa existência. A água presente no nosso organismo necessita de ser renovada de forma contínua, pois elimina do nosso corpo as toxinas, contribuindo para o seu bom funcionamento e equilíbrio. É também um importante veículo de nutrientes no organismo e ajuda a manter a temperatura corporal. A sua ingestão é essencial, por exemplo, para combater a prisão de ventre, manter a pele e o cabelo saudáveis e ajudar a prevenir as infecções urinárias.

Habitualmente, recomenda-se uma ingestão diária de 1,5L a 2L de água. Porém, esta quantidade pode ser superior dependendo da actividade física ou profissional de cada pessoa. Durante a prática de exercício físico o corpo perde água, através do suor e, consequentemente, oligoelementos e sais minerais que é necessário repor. Assim, quando praticar desporto não se esqueça de levar sempre uma garrafa de água. Um sinal de que ingere pouca água é o facto de apenas ir duas vezes por dia à casa de banho e a urina apresentar um cheiro intenso. Nestes casos, a urina está menos diluída e o organismo está a acumular toxinas. A falta de água é ainda responsável pelo envelhecimento precoce e outras complicações como a obstipação, o aceleramento do ritmo cardíaco, concentração de toxinas, problemas digestivos e mau funcionamento do organismo em geral.

A água é composta por magnésio, cálcio, potássio e por vezes, cobre, zinco e ferro, entre outros oligoelementos. A água da torneira tende a ser mais rica em sódio. As características das inúmeras águas diferem de acordo com a sua origem, o que condiciona a sua riqueza mineral. Por esta razão, deve alternar a qualidade da água que bebe, principalmente se sofrer de problemas de cálculos renais. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a água da torneira não deve ser excluída. Neste caso, certifique-se da sua qualidade e, se duvidar dela, poder optar por filtrá-la.

Deve encarar a ingestão de água como um prazer e não um sacrifício. Crie o bom hábito de beber água ao longo do dia, inclusive em jejum, e não apenas quando tem sede ou às refeições. Por alternativa pode consumi-la em chás, sumos naturais ou outros alimentos. Muitos frutos e legumes são compostos maioritariamente por água, como é o caso do tomate (94%), da couve (92%) ou da melancia (91%).

Por Pedro Lôbo do Vale

Médico

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