Vacina testada em macacos permite proteção duradoura contra ébola

O mais recente surto do vírus ébola matou mais de 2 000 pessoas na África Ocidental até agora
8 de setembro de 2014 - 09h23



Uma vacina experimental, dividida em duas doses, permite uma proteção "rápida e duradoura" contra o vírus ébola em macacos, revela um estudo publicado este domingo. A vacina atribuiu aos macacos "uma proteção completa no curto prazo e parcial a longo prazo" contra o ébola, dizem os autores da investigação publicada na revista "Nature Medicine".



Os animais que receberam o reforço da vacina, dentro de um novo esquema de vacinação ainda em estudo, desenvolveram uma imunidade "duradoura".



Para os autores da pesquisa, trata-se da primeira demonstração de uma proteção duradoura por uma vacina contra o vírus "ébola Zaire", estirpe da atual epidemia, que já provocou mais de 2 000 mortos na África Ocidental, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).



Se for aprovada, "a vacina beneficiará a população" durante as epidemias, garantem os cientistas.



A 28 de agosto, o Instituto Americano de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID/NIH) anunciou que o estudo em humanos das vacinas contra o ébola começaria em setembro.



A equipa de Nancy Sullivan, do centro de pesquisa do NIAID, desenvolveu uma vacina baseada num adenovírus de chimpanzé batizado de "ChAd3". O macaco funciona como vetor para enviar fragmentos de material genético do vírus ébola para as células do indivíduo vacinado.



Esses fragmentos de material genético não são infecciosos, mas ajudam o organismo a reconhecer o vírus para se defender.



Os investigadores testaram diferentes doses de ChAd3. Depois, injetaram nos macacos uma dose de vírus ébola, que poderia ser letal se não tivessem sido previamente imunizados.



Com uma única injeção da vacina experimental, quatro macacos continuaram imunizados cinco semanas mais tarde, mas o efeito protetor diminuía com o tempo. Apenas dois animais continuavam protegidos dez meses depois.



Os quatro macacos que receberam a injeção de reforço oito semanas após a primeira continuavam completamente protegidos contra a infeção dez meses depois, dizem os cientistas, escreve a agência France Presse.



Os testes em humanos são a primeira etapa ("fase 1") do processo de validação da vacina, dividido em três. Esses testes serão realizados em indivíduos saudáveis (não infetados) para verificar se toleram bem a vacina e se ela consegue oferecer uma boa resposta imunitária.



Por SAPO Saúde/AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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