Vacina para a Sida pode estar pronta em menos de uma década

Um estudo que está a ser feito a nível europeu pode apresentar, até final do ano, resultados que levem a uma vacina contra a Sida em menos de uma década, defendeu esta quinta-feira o investigador José Marcelino.
créditos: EPA/CHRISTIAN CHARISIUS

Investigador auxiliar do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), José Marcelino é um dos organizadores de uma conferência (Global Health and Tropical Medicine: HIV Challenges) que, na sexta-feira, junta em Lisboa os maiores especialistas europeus sobre VIH/Sida.

Em declarações à Lusa, o responsável salientou que se tudo “funcionar bem” no trabalho que está a ser feito, em menos de uma década poderá ter-se chegado a uma vacina, que proteja a progressão da infeção e evite novas infeções. “Se tudo ocorrer da maneira que estamos a pensar, ficamos um passo mais perto da vacina”, frisou.

O estudo que está a ser feito, há já vários anos, junta doentes de Portugal (cerca de mil), França e Alemanha, num total que oscila entre os quatro e os cinco mil. É da responsabilidade do consórcio europeu que está a estudar uma vacina e que funciona no âmbito da rede europeia ERA-Net HIVERA, dedicada à investigação em VIH/Sida.

Com um extenso e complexo nome, o estudo está a ser dirigido por Patrice Debré (coordenador do consórcio), da Universidade Pierre e Marie Curie (França), que, em declarações à Lusa, diz que, apesar de todos os avanços, ainda não se conhecem “os determinantes da resposta imune que iria controlar o vírus”.

Vírus multifacetado

Salientando a importância dos estudos em pessoas que conseguem naturalmente controlar a doença, o especialista frisou que o vírus “apresenta uma grande variabilidade, o que lhe permite escapar de formas diferentes às respostas imunitárias”.

“Não sabemos induzir respostas imunitárias celulares ou por anticorpos específicos que sejam suficientemente protetoras do homem”, afirmou.

De acordo com Patrice Debré, os investigadores trabalham na busca de respostas através das células e de anticorpos, procuram novas metas, mas “é impossível fazer previsões”, porque se trata de um trabalho demorado e por etapas.

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