Utentes e médicos descontentes com fusão hospitalar no Oeste

Em causa está fusão dos hospitais das Caldas da Rainha, Peniche, Alcobaça e Torres Vedras
22 de fevereiro de 2013 - 14h58



A Comissão de Utentes “Juntos pelo nosso Hospital” mostrou-se hoje descontente com a forma como está a decorrer a reorganização hospitalar no Oeste, admitindo que médicos e utentes possam encetar novas ações de luta.



“Nem as propostas da comissão nem as dos médicos têm sido tidas em conta nas reuniões do grupo de acompanhamento e o descontentamento já está a fazer com que os médicos se estejam a mobilizar para mostrar a sua discordância com o rumo apontado pela administração”, disse hoje à Lusa António Curado, da Comissão de Utentes “Juntos pelo nosso Hospital”.



Em causa está a reorganização dos cuidados hospitalares, na sequência da fusão dos hospitais das Caldas da Rainha, Peniche, Alcobaça e Torres Vedras num único centro hospitalar para toda a região.



A reestruturação prevê a repartição de valências pelos vários hospitais e tem estado a ser discutida entre a administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) e dois grupos de reflexão, um interno que inclui profissionais e outro externo que inclui autarquias e comissões de utentes.



António Curado lamentou, no entanto que “haja críticas e sugestões sistematicamente recusadas”, o que levou a que “a última reunião tenha sido muito dura”, aumentando os receios de que as posições possam ser mais extremas: “há opções que nos vamos recusar a aceitar”, referiu.



Apesar se não ser conhecido ainda o modelo final de funcionamento do CHO, a comissão contesta algumas medidas já anunciadas, como a deslocalização do serviço de internamento de cirurgia das Caldas para Torres.



“Não é admissível um doente do norte do concelho das Caldas ou de Peniche ser sujeito a uma cirurgia de urgência e, no dia seguinte, ser transferido para Torres Vedras”, exemplificou.



Num comunicado à imprensa, a comissão reafirmou que não irá aceitar que não se mantenham “as especialidades básicas médicas e cirúrgicas nos vários polos” nem “o encerramento ou despromoção de urgências”.



A comissão contesta ainda que, sendo a sede social do CHO nas Caldas da Rainha, “haja no terreno uma deslocalização dos centros de decisão para a unidade de Torres Vedras, deixando as restantes unidades sem acompanhamento próximo por direções e chefias, e sem a ativa participação dos profissionais na reorganização e coordenação dos serviços”.



A próxima reunião do grupo de acompanhamento terá lugar a 28 de fevereiro, data em que a comissão espera que “haja avanços para encontrar uma solução de consenso que reflita as opções” consideradas essenciais.



Contactado pela Lusa, o presidente do Conselho de Administração do CHO, Carlos Sá, assegurou que “as sugestões dos dois grupos de reflexão estão a ser consideradas e aquelas que forem as mais indicadas para garantir o melhor serviço aos utentes serão incluídas no projeto de gestão”.



O administrador referiu ainda que o plano estratégico será apresentado até final de março.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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