Utentes do Centro de Saúde de Arouca prometem mais protestos até terem médicos

Alguns utentes estão há mais de oito anos sem médico de família
22 de novembro de 2013 - 12h11



O protesto que utentes do Centro de Saúde de Arouca iniciaram às 05:00 de hoje terminou quatro de horas depois, mas a porta-voz do grupo prometeu mais manifestações até se resolver a situação "insustentável" da falta de médicos.



Em declarações à Lusa, Teresa Rocha, da Comissão de Utentes, explicou que o protesto de hoje "tinha por objetivo mostrar as condições em que ficam as pessoas que passam toda a noite na rua, às vezes desde as 23:00, para conseguirem uma vaga à sexta-feira".



"Mas não vamos ficar só por aqui", anuncia essa responsável. "Já fizemos uma manifestação no Porto e agora estamos a considerar ir para Lisboa", acrescentou.



No essencial, Teresa Rocha atribui o problema ao facto de que "só há uma médica com seis vagas por semana para atender mais de 8.000 utentes sem médico de família".



"Isto atingiu um ponto insustentável", realçou a porta-voz da comissão. "As pessoas vêm para cá de véspera, ficam aqui toda a noite ao relento, sem uma cadeira para se sentarem, e só esta madrugada, por exemplo, foram umas 15 as que vieram cá para nada, porque chegaram às 04:00 ou 05:00 e as vagas já estavam todas preenchidas".



Teresa Rocha disse que o problema já se vem arrastando "há tempo de mais" e defende que a população de Arouca "está ser totalmente discriminada".



As críticas são várias: alguns utentes estão há mais de oito anos sem médico de família e outros foram submetidos a cirurgias, mas esperam mais de um mês até que lhes seja emitida uma licença de baixa.



Há ainda aqueles que aguardam meses até que possam fazer análises, assim como utentes que não conseguem a guia de acesso a uma consulta de especialidade para rastreio de condições graves e ainda doentes crónicos que não têm quem lhes passe receita para medicação diária essencial.



"A diretora do centro de saúde não nos dá solução para isto", diz Teresa Rocha, "mas nós vamos continuar a fazer barulho com manifestações e o que for preciso, até que deixem de nos discriminar".



A Lusa contactou, ao início da manhã, o Ministério da Saúde e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, com vista à obtenção de um esclarecimento sobre as razões do protesto em Arouca. Fonte do Ministério atribuiu à ARS a competência para comentar o assunto, mas essa entidade, até ao momento, ainda não disponibilizou qualquer informação sobre o mesmo.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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