Urgente mas pouco

Falta de médicos condiciona tempos de espera nas urgências de Lisboa

A corrida às urgências e aos centros de saúde é mais sentida na capital. A falta de profissionais, doentes mais graves e um maior número de habitantes são os responsáveis As urgências hospitalares e os centros de saúde de Lisboa registaram um aumento significativo de procura nos últimos tempos.

A afluência de utentes justifica maiores tempos de espera, nomeadamente para os doentes que pareciam ter sintomas menos graves. No entanto, para a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, a subida não é preocupante: "Em Lisboa nota-se mais talvez pela distribuição de profissionais, ou devido a casos mais complexos, que provocam períodos de espera mais elevados. O número de utentes também é maior."

Sintomas gripais como tosse, febre, conjuntivites, obstrução nasal ou gastroenterites são os líderes das corridas às unidades de saúde um pouco por todo o país. A época é sujeita a viroses e as deslocações são, afinal, usuais: "Há um aumento de procura de consultas e de urgências, mas é normal nesta época", esclarece Graça Freitas. Entre 20 de Dezembro de 2010 e 3 de Janeiro de 2011 houve picos de assistências nas unidades hospitalares.

Neste período, o dia com menos procura registou 17 400 utentes e 28 300 foi o número de pacientes no dia com maior afluência: "Não chegamos aos 30 mil, número que já merecia mais preocupação. Em geral, a intensidade é normal", reitera a subdirectora. Os portugueses mais afectados com a gripe encontram-se essencialmente no Norte do país. De acordo com a Direcção-Geral da Saúde (DGS), e em comparação com período homólogo, Vila Real, Bragança, Castelo Branco e Portalegre, são as unidades com mais atendimentos.

Neste ano circulam três vírus da gripe: H1N1 (o mesmo que em 2009), H3N2 e o B: "Este último tipo é clássico. Não é novo, mas aparece por épocas", diz Graça Freitas. É a estirpe B que tem tido mais incidência entre os portugueses, mas os sintomas são iguais ao da gripe A: "A diferença está nas pessoas que o vírus afecta", afiança. A H1N1 atinge em maior número crianças e jovens, enquanto a estirpe B tem maior incidência entre pessoas idosas.

O perigo das variantes da gripe A e B é exactamente o mesmo: "O H1N1 não sofreu qualquer mutação e só é possível diferenciá-lo da B através de análises laboratoriais. O período de incubação não varia muito nas duas estirpes", explica. Os sintomas e os cuidados são, também eles, os mesmos. A DGS aconselha a vacinação contra a gripe (as pessoas internadas este ano não estavam vacinadas) e, tal como em 2009, um cuidado redobrado com a higiene.

Alerta não menos importante é o de "não correr para as urgências ao mínimo sintoma. Além de haver o risco de contágio a outros doentes, a espera vai ser longa", lembra Graça Freitas. O conselho não é estendido a grávidas, pessoas que sofram de patologias crónicas de base, situações clínicas instáveis ou problemas respiratórios:

"No entanto, na maior parte das situações não é necessária uma ida ao médico. Basta ligar para a linha Saúde 24 [808 24 24 24]". Para quem já foi atingido pela gripe, Graça Freitas adianta que os cuidados a ter são os de sempre - permanecer em casa, ter uma boa alimentação e cuidado com hidratação.

Se necessário, recorrer a medicamentos para baixar a febre e as dores. Apesar de nos últimos dois dias a procura dos serviços de urgência da capital ter diminuído, os sintomas gripais atingiram uma média diária de 292 atendimentos na semana passada, contra os 228 registados em igual período do ano anterior.

07 de Janeiro de 2011

Fonte: Jornal I

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