Universidade de Coimbra cria primeiro observatório de nanopartículas em Portugal

Observatório é constituído por uma equipa de áreas como engenharia, farmácia, medicina e bioquímica
30 de abril de 2014 - 09h55
A Universidade de Coimbra (UC) criou o primeiro observatório de nanopartículas de Portugal, cujo principal objetivo é identificar as nanopartículas existentes e avaliar os seus efeitos na saúde humana e nos ecossistemas.
“A grande missão do recém-criado Observatório de Nanopartículas da Universidade de Coimbra, o primeiro do país”, é “identificar os diferentes tipos de nanopartículas existentes e avaliar os seus efeitos na saúde humana e nos ecossistemas, visando a proteção do trabalhador e das populações em geral”, afirma a UC, numa nota hoje divulgada.
Com um investimento de “perto de um milhão de euros”, suportado por fundos comunitários, através do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), e por receitas próprias, o observatório possui “equipamento e tecnologia de última geração”, salienta a instituição.
A nova estrutura dispõe de “um aparelho capaz de detetar, captar e quantificar os diversos tipos de nanopartículas suspensas no ar para as quais o pulmão não funciona como filtro, entrando diretamente na corrente sanguínea”, exemplifica a mesma nota.
“As nanopartículas estão presentes em ambientes insuspeitos, onde não há manipulação direta de nanopartículas, consequência apenas de processos industriais convencionais”, alerta a UC.
O observatório é constituído por uma equipa multidisciplinar, reunindo “oito investigadores doutorados” em áreas como engenharia, farmácia, medicina e bioquímica, entre outras.
Aqueles especialistas “já promovem ações junto de indústrias de todo o país, especialmente metalomecânicas, para obter o que se pode denominar de ‘ciclo completo das nanopartículas’, isto é, desde a identificação, quantificação e caracterização, até ao impacto que têm na saúde humana e nos ecossistemas”, explica Teresa Vieira, coordenadora do Observatório.
Os trabalhadores, tanto de indústrias ditas convencionais como inovadoras (nanotecnologias), estão expostos a “nuvens” deste tipo de partículas.
As nanopartículas “habitam em todo o lado, são silenciosas e muito invasivas, desconhecendo-se os malefícios que podem provocar”, sublinha Teresa Vieira, que também é professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia e responsável pelo Grupo de Nanomateriais e Microfabricação do Centro de Engenharia Mecânica da UC.
“Sem alarmismos” e para “evitar danos”, é “essencial obter essa informação para permitir a adoção de medidas de prevenção, monitorização e controlo”, através, por exemplo, do desenvolvimento de “sensores de alerta e nanofiltros”, sublinha a especialista.
“É consensual a urgência em obter competências e informação sobre estas partículas invisíveis”, observa Teresa Vieira.
Com a informação obtida nos estudos em curso, o Observatório da Nanopartículas – que “também acolhe investigadores de outras universidades do país” – projeta publicar um “prontuário das nanopartículas”, para “apoiar novos estudos e, considerando a ausência de legislação na matéria, contribuir para a definição de limites legais de níveis de nanopartículas presentes na indústria e no ambiente”.
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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