Unidades de cuidados continuados estão prontas, mas Estado ainda não libertou verbas

20 unidades de cuidados continuados, num total de cerca de mil camas
26 de fevereiro de 2013 - 14h05



O presidente da União das Misericórdias Portuguesas assegurou hoje que cerca de 20 unidades de cuidados continuados estão prontas para funcionar este ano, desde que o Estado liberte as verbas necessárias para abrir as portas.



A Assembleia da República recomendou ao Governo a abertura, com “caráter de urgência”, das unidades de cuidados continuados, segundo uma resolução do Parlamento publicada hoje em Diário da República.



As cerca de 20 unidades de cuidados continuados, num total de cerca de mil camas, foram construídas ao abrigo do Programa Modelar, criado pelo anterior Governo socialista, com o objetivo de aumentar a rede de cuidados continuados, através de um trabalho conjunto com as Misericórdias e outras instituições particulares de solidariedade social (IPSS).



“Fizemos um conjunto de unidades a pedido do Estado português e até tínhamos penalidades se não tivéssemos os equipamentos feitos”, disse Manuel Lemos.



Segundo o responsável, a maioria destas unidades estão concluídas, mas ainda não abriram as portas por falta de contrato com o Estado.



“Em função das verbas que o Estado disse ter disponíveis para a construção dos equipamentos, nós fizemos um cronograma que nos permitia abrir todas as unidades”, disse.



“Se o Estado português for uma pessoa de bem, podemos acertar mais um mês, menos um mês, mas podemos abrir, este ano, todas as unidades das Misericórdias e da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS)”, sustentou Manuel Lemos.



O responsável comentou que a população não percebe porque é que as unidades estão concluídas, com todo o equipamento preparado, e não abrem as portas, uma situação que representa um “encargo muito elevado” para as instituições que estão a pagar juros do empréstimo bancário que contraíram para construir as unidades.



“As Misericórdias e as IPSS empenharam-se para poder fazer estas instituições a pedido do Estado e agora o Estado diz que não tem dinheiro”, lamentou, explicando que a comparticipação do Estado representa cerca de 30% do valor total da obra.



Na recomendação, a Assembleia da República aponta várias unidades da Santa da Misericórdia que se encontram nesta situação, nomeadamente a de Oliveira do Bairro, São João da Madeira, Serpa, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Pampilhosa da Serra, Almeida, Manteigas, Pedrógão Grande e Porto de Mós.



Refere ainda as unidades de cuidados continuados das Santa Casa da Misericórdia da Vila de Pereira (Algarve), Amarante, Montijo, Barreiro, Ponte da Barca, Cinfães e Sernancelhe.



A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados tem como objetivos a prestação de cuidados de saúde e de apoio social de forma continuada e integrada a pessoas que, independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência.



A Lusa contactou o Ministério da Saúde para obter esclarecimentos quanto a esta matéria, mas ainda não obteve resposta.




Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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