Uma em cada quatro crianças com menos de 11 anos já bebeu álcool

Um relatório demonstra que 9,5% das crianças acabaram embriagadas
10 de outubro de 2013 - 13h52



Um quarto das crianças com menos de 11 anos já experimentou bebidas alcoólicas e os jovens procuram apanhar bebedeiras cada vez mais rapidamente, adotando práticas como a introdução de álcool nos olhos, no ânus ou na vagina.



A revelação consta do relatório da Direção-Geral da Saúde “Portugal Saúde Mental em Números – 2013”, hoje divulgado.



Com base num inquérito realizado em 2010 sobre os comportamentos em saúde entre as crianças de idade escolar, o relatório indica que 26,4% com idade igual ou inferior a 11 anos já tinha experimentado bebidas alcoólicas e que 9,5% acabaram embriagados.



Ainda sobre a idade de experimentação de álcool, o documento revela que é entre os 12 e os 13 anos que se encontra a maior percentagem (41,9%), ao passo que com mais de 14 anos foram 31,7% os jovens que experimentaram.



Os mesmos dados mostram que na faixa dos 12-13 anos é maior a percentagem de raparigas que experimentou bebidas alcoólicas do que de rapazes.



O relatório destaca que nas últimas décadas o padrão de consumo tem-se modificado significativamente, com uma passagem do tendencialmente “mediterrânico” – diário, por vezes em volumes elevados, por adultos, e sobretudo de vinho – para o “anglo-saxonico” – quase nó nos fins de semana, muitas vezes com “intenção de intoxicação aguda rápida (binge drinking)”, em idades cada vezes mais precoces e progressivamente mais feminino.



Introdução de álcool pela vagina ou anûs



Um reflexo desta tendência de procura da “intoxicação aguda quase instantânea” entre os jovens é a adoção de práticas como a “instilação ocular ou a aplicação de tampões impregnados em bebidas alcoólicas destiladas no ânus, ou na vagina, áreas anatómicas em que a riqueza vascular permite absorções muito rápidas”, denunciam os autores do relatório, que lamentam a sobreposição dos interesses económicos aos da saúde pública.



“A tolerância dos costumes e o primado do interesse económico sobre a saúde pública vem permitindo permissividade familiar e social dos consumos, que sendo em moeres de idade são sempre de risco, independentemente do volume de álcool ingerido”, afirma o documento, acrescentando que “várias investigações registam que o início de consumos se verifica em idades cada vezes mais precoces e com aparente estrita intenção de fuga da realidade”.



O relatório sublinha que o total de alunos do secundário, com risco mais elevado por serem menores de idade, tem mantido consumos crescentes, para todos os tipos de bebidas e em particular nos consumos de maior risco.



Comparando a evolução dos consumos entre 2001, 2006 e 2011, por ciclos de estudo (3º ciclo e secundário), verifica-se que em 2001 consumo se limitava à cerveja, ao vinho e às bebidas destiladas.



Em 2006 e, particularmente, em 2011, verifica-se o aparecimento de mais embriaguezes e do consumo – com tendência fortemente crescente – de outras bebidas como Alcoolpops (bebidas brancas misturadas com xaropes doces e frutados) e binge drinking (beber uma grande quantidade de álcool num curto espaço de tempo).



O relatório conclui que “sendo o risco psicótico destas substancias potencialmente maior em idades mais jovens, o resultado [dos inquéritos] é inquietante”.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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