Uma em cada dez pessoas vão viver em zonas com escassez de água em 2100

Calor poderá aumentar a propagação de alguns tipos de doenças, sobretudo em África
1 de julho de 2013 - 21h02



Uma em cada dez pessoas no mundo vão viver, até 2100, num local onde as alterações climáticas terão um impacto negativo em, pelo menos, setores como a agricultura, água, ecossistemas ou saúde, segundo um estudo internacional hoje publicado.



Os chamados “hotspots” (zonas quentes) climáticos vão concentrar-se sobretudo no sul do Amazonas, com “alterações extremas” na disponibilidade de água, produtividade agrícola e ecossistemas, indica o estudo publicado no jornal científico norte-americano “Proceedings of the National Academy of Sciences”.



A segunda maior região de “hotspots” será o sul da Europa, onde a falta de água e a escassez das colheitas podem criar dificuldades às populações, refere o estudo liderado por Franziska Piontek do Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático.



“A sobreposição de impactos das alterações climáticas nos diferentes setores tem potencial para interagir e, por isso, multiplicar as pressões sobre os meios de subsistência das populações das regiões afetadas”, afirmou Piontek.



A investigação contou com especialistas em alterações climáticas do Japão, Estados Unidos, China e Europa e usou programas de modelos matemáticos para prever como é que o aquecimento global vai afetar a população mundial.



Foram analisados diferentes níveis de aquecimento, com a sobreposição multissetorial a começar a aparecer “de forma robusta” quando se atinge uma média de aquecimento global de três graus Celsius acima da média 1980-2010, acrescentou a cientista.



Quando este valor aumenta para quatro graus Celsius acima da média 1980-2010, 11 por cento da população mundial ficava “sujeita a graves impactos em, pelo menos, dois dos quatro setores com impacto”, explicou.



Outros “hotspots” incluem as regiões tropicais da América Central e África, bem como as terras altas da Etiópia devido à conjugação da malária, colheitas reduzidas e alterações nos ecossistemas.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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