Um terço dos doentes em Moçambique abandona tratamento contra a SIDA

Um terço dos doentes em tratamento de SIDA em Moçambique abandona o acompanhamento clínico no primeiro ano, uma situação agravada pela falta de apoio do Governo, revela a organização Médicos Sem Fronteiras.

O Hospital da Machava é o único em Moçambique totalmente dedicado à tuberculose onde 85% dos doentes são portadores de Sida, domingo 1 de abril de 2007 na Machava, Mocambique. O Hospital da Machava fará parte da visita de Jorge Sampaio, na qualidade de Enviado Especial do Sec. Geral da ONU para a Tuberculose. (ACOMPANHA TEXTO) PEDRO SA DA BANDEIRA/LUSA

Do universo de 1,6 milhões de infetados de SIDA em Moçambique, apenas 640 mil procuram tratamento, mas um terço abandonam-no logo no primeiro ano, segundo dados oficiais revelados em Maputo durante a apresentação do relatório "Aconselhamento em HIV/TB: Quem está a fazer o trabalho".

"A maior parte das organizações no terreno está a trabalhar, mas o Governo não está a garantir o seu próprio pessoal e, por isso, existe uma lacuna", disse à Lusa Carlota Silva, analista da MSF para o tema de SIDA, à margem da apresentação do relatório.

Apontando para os "conselheiros leigos", profissionais de formação curta e responsáveis pelo apoio psicossocial nas comunidades, como meio alternativo para fazer face aos altos índices de prevalência da doença em Moçambique, Carlota Silva considerou que o Governo moçambicano precisa garantir que o tratamento seja feito com mais qualidade e tenha um acompanhamento contínuo.

Falta de pessoal médico

"É importante que haja mais vontade política por parte do Governo. Neste momento, os clínicos e enfermeiros são muito poucos", adiantou Carla Silva, acrescentando que os atuais 501 conselheiros registados em Moçambique não são capazes de responder ao crescente número de pessoas infetadas.

De acordo com o relatório da MSF, até ao final do ano Moçambique precisa de 1.893 conselheiros para atingir as metas estabelecidas pelo Governo.

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