Um terço das mortes acima dos 75 anos nos EUA pode ser atribuído ao Alzheimer

Período médio entre diagnóstico e mortes é de cerca de quatro anos, indica estudo
6 de março de 2014 - 09h31
Um terço das mortes de pessoas com mais de 75 anos pode ser atribuído ao Alzheimer, segundo um estudo norte-americano hoje divulgado, que estima que esta doença possa ser responsável por tantos óbitos como as patologias cardiovasculares.
Bryan James, do Centro Médico da Universidade Rush, em Chicago, Estados Unidos da América (EUA)estudou um grupo de 2.566 pessoas com uma média de idades de 78 anos que foram submetidas a um teste anual para determinar se sofriam ou não de demência.
Depois de um período de oito anos, 1.090 participantes tinham morrido, sendo que 559, que não sofriam de Alzheimer no início do estudo, desenvolveram depois a doença.
O período médio entre o diagnóstico e as mortes foi de cerca de quatro anos e o Alzheimer foi confirmado através de autópsia em 90% dos casos.
Segundo os dados publicados na revista científica Neurology, a taxa de mortalidade foi quatro vezes mais elevada nas pessoas que sofriam de demência entre os 75 e os 84 anos e cerca de três vezes superior nas que tinham 85 ou mais anos.
“A doença de Alzheimer e outras formas de demência não figuram nas certidões de óbito e nos dossiers médicos”, disse o autor do estudo, adiantando que estes documentos indicam como causa direta e imediata de morte uma pneumonia, sem mencionarem a demência como uma causa subjacente.
O investigador reconhece a dificuldade de identificar uma simples causa de morte na maior parte das pessoas idosas, uma vez que vários problemas de saúde se vão acumulando.
“As estimativas produzidas pela nossa análise dos dossiers médicos sugerem que as mortes resultantes do Alzheimer ultrapassam largamente as estatísticas dos centros de controlo e prevenção de doença refletidas nas certidões de óbito”, indicou Bryan James.
Nos Estados Unidos, a doença de Alzheimer surge nas estatísticas oficias em sexto lugar na lista de principais causas de morte, enquanto as doenças cardiovasculares e o cancro surgem em primeiro e segundo lugares.
O investigador conclui, com base no estudo, que terá havido mais de 500 mil mortes por Alzheimer nos Estados Unidos na população acima dos 75 anos, em 2010, número que é cinco a seis vezes superior aos 83 mil mortos registados nas bases oficiais.
A doença de Alzheimer, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como patologia crónica, não é transmissível e é a forma mais comum de demência, representando entre 50 a 70 por cento de todos os casos.
SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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