Um quarto dos jovens portugueses consome fármacos para a concentração e para acalmar

Quarenta por cento dos jovens ingerem bebidas energéticas para melhorar a sua performance
1 de abril de 2014 - 09h43



Um em cada quatro jovens portugueses entre os 18 e os 29 anos já consumiu medicamentos para melhorar a concentração e número equivalente já recorreu a fármacos para se acalmar, de acordo com um estudo sobre Medicamentos e Consumos de Performance na população jovem do Instituto Superior de Ciências e do Trabalho (ISCTE), avança hoje o jornal Público.



É o primeiro estudo deste tipo em Portugal, coordenado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE, que quis perceber a dimensão do consumo de medicamentos ou produtos naturais para melhorar o desempenho.



Noémia Lopes, coordenadora do estudo, fala numa "farmacologização do quotidiano" e também numa indústria "do natural": "Os jovens cada vez mais consomem "o natural, um setor sem regulação e sem controlo".



As conclusões são apresentadas no estudo intitulado “Medicamentos e Consumos de Perfomance”. A investigação indica que 71,9% dos jovens portugueses já esteve medicado para melhorar o desempenho e a concentração.



Ainda segundo o mesmo trabalho, as bebidas energéticas são o produto mais procurado, com 40% dos jovens inquiridos a admitirem já ter consumido, com o objetivo de se manter acordado ou de melhorar a concentração no trabalho ou nos estudos, embora os fármacos para a concentração e para descontrair ou acalmar também predominem nas preferências – 25,3% admitiu já ter sido medicada para melhorar a concentração.



Por outro lado, 23,8% reconheceu já ter necessitado de calmantes para “repor” horas de sono em atraso ou devido a stress acumulado.



A idade de início de consumo ronda os 17 anos e os que mais consomem este tipo de fármacos são os jovens que trabalham ou já trabalharam em call-centers.



No total, 64,5% dos jovens notou efeitos positivos como melhoria na concentração, mais calma antes de exames ou de entrevistas, maior bem-estar e menos sono.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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