Um em cada três alentejanos corre risco de morrer de doença cardiovascular

As doenças cardiovasculares devem-se, essencialmente, à aterosclerose
12 de abril de 2013 - 11h35



Um em cada três alentejanos tem elevada probabilidade de morrer de doenças cardiovasculares (DCV) na próxima década, o que é superior à média nacional, conclui um estudo recente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).



A investigação, intitulada Estudo VIVA, indica que “um em cada quatro portugueses tem uma elevada probabilidade de morrer de DCV nos próximo dez anos, mas a proporção é um em cada três para o Alentejo”.



O estudo, apresentado hoje à população nos Paços do Concelho de Évora, teve a participação de 10.008 portugueses maiores de 18 anos e residentes em 44 concelhos do país.



O objetivo prioritário do VIVA, já divulgado no ano passado no 33º Congresso Português de Cardiologia, realizado no Algarve, foi a caraterização dos portugueses em função do nível de risco cardiovascular, segundo a SPC.



Carlos Aguiar, vice-presidente da SPC e um dos coordenadores científicos da iniciativa, lembrou que as DCV são “a principal causa de mortalidade em Portugal”, além de serem igualmente “uma importante causa de incapacidade, sofrimento e uso de recursos económicos”.



Apenas um terço dos portugueses em risco está medicado



Apesar disso, mostra o estudo, “apenas 30% dos portugueses adultos com risco elevado de DCV toma um medicamento para baixar o colesterol”.



E, sublinhou Carlos Aguiar, “a maioria dos indivíduos que toma um medicamento para baixar o colesterol não o tem realmente controlado”, pelo que “são muitas oportunidades perdidas para evitar as DCV em Portugal”.



O colesterol, disse, deve preocupar “todas as pessoas que já sofreram um problema cardiovascular, os diabéticos, todos os homens com pelo menos 40 anos, todas as mulheres com pelo menos 50 anos ou que já tenham concluída a menopausa”.



Esta problemática deve também merecer especial atenção por parte de “todas as pessoas com história familiar de DCV em idade prematura e de colesterol elevado e todas as pessoas com um ou mais fatores de risco para DCV”.



Mas o colesterol não é o único fator de risco, lembrou o responsável, explicando que, para evitar as DCV, é preciso também ter em conta “a pressão arterial, o fumo de tabaco, a diabetes, a obesidade abdominal e o sedentarismo”.



“Todas estas condições facilitam a acumulação de colesterol na parede das artérias. Um indivíduo que tenha pouco colesterol no sangue, mas que tenha muitos outros fatores de risco, pode ter mais lesões ateroscleróticas nas artérias e, portanto, mais razões para sofrer uma DCV e até morrer disso”, avisou.



As doenças cardiovasculares devem-se, essencialmente, à aterosclerose, fenómeno que tem início numa fase precoce da vida e progride silenciosamente durante anos.



“As consequências clínicas mais importantes da aterosclerose, que são o enfarte agudo do miocárdio, o acidente vascular cerebral isquémico e a morte, são frequentemente súbitas e inesperadas”, disse Carlos Aguiar, aconselhando a prevenção e uma atitude pró-ativa na abordagem do risco cardiovascular.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários