Um em cada cinco reclusos tem hiperatividade

Um em cada cinco reclusos do Estabelecimento Prisional de Coimbra sofre de Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), concluiu o primeiro estudo sobre esta matéria realizado em Portugal junto da população prisional.

"Os dados confirmam estudos internacionais que sugerem que a população prisional tem mais patologia psiquiatra do que a população em geral, o que pode explicar as razões porque cometeram alguns crimes", explicou hoje à agência Lusa Joaquim Cerejeira, coordenador do trabalho e professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC).

O estudo foi realizado durante cerca de um ano por psiquiatras e alunos da Faculdade de Medicina da UC e envolveu 101 reclusos, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, com inteligência normal (QI superior a 85), sem qualquer outra doença psiquiátrica.

Segundo o psiquiatra, que preside à Associação Cérebro & Mente, a investigação indica ainda maior "comorbilidade psiquiátrica (mais do que um transtorno) entre os reclusos com PHDA, patente nos altos níveis de perturbação obsessiva-compulsiva, depressão, ansiedade e sintomas de paranoia, bem como início precoce da criminalidade e reincidência". "Temos de atender à possibilidade de haver muitas pessoas que estão presas que poderiam melhorar o seu comportamento se fossem tratadas, porque nesta doença as pessoas são mais impulsivas e têm comportamentos fora das regras", acrescentou.

O estudo revelou ainda que o grupo de reclusos com PHDA apresenta "mais experiências adversas na infância, maior consumo de estupefacientes previamente à reclusão, maior taxa de reincidência criminal e níveis mais elevados de psicopatologia atual e traços psicopáticos".

De acordo com Joaquim Cerejeira, também clínico no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), os dados obtidos realçam a necessidade de diagnóstico e tratamento atempado, bem como a necessidade de intervenções psicossociais nos reclusos.

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