Turismo de saúde é competitivo e pode atingir 400 ME ano, só falta promoção

Estudo propõe que privados e públicos se juntem com intuito de vender melhor imagem de Portugal
3 de abril de 2014 - 08h11



Um estudo concluiu que Portugal é competitivo em alguns países europeus para desenvolver o turismo de saúde, em áreas como a cirúrgia às cataratas, ou alguns tratamentos estéticos, e pode conseguir 400 milhões de euros anuais se apostar na promoção.



O documento "Definição da estratégia colectiva para o setor do Turismo de Saúde e Bem-Estar Português", que é hoje apresentado no Porto, foi preparado pela Accenture e Neoturis para o Health Cluster Portugal e para a Associação Empresarial de Portugal, Câmara de Comércio e Indústria, parceiras no projeto.



O diretor executivo do Health Cluster Portugal, Joaquim Cunha, avançou à agência Lusa que "a grande conclusão é que [Portugal tem] condições para poder ter uma operação bem sucedida na área do turismo de saúde", faltando a questão da reputação, "o que leva aos aspetos da promoção e da divulgação" do turismo, dos serviços de saúde e, em última análise, de Portugal.



Por isso, é proposta a criação de uma plataforma virtual, "o menos formal possível, para permitir que cada um tenha a sua atividade normal e aqui encontre um forum onde coletivamente se trabalhe em termos de promoção".



Joaquim Cunha realçou que a promoção "ganhará eficácia quanto mais coletiva for", com articulação entre agentes públicos e privados, centrando-se na marca Portugal para "vender o país como um destino de qualidade".



"A médio prazo, num horizonte de quatro ou cinco anos, com uma boa estratégia de promoção, no turismo médico podemos ter a ambição de chegar aos 100 milhões de euros", a que se junta o turismo de bem estar, "muito mais abrangente e com ordens de grandeza cerca de três vezes superiores, de 300 milhões de euros", referiu Joaquim Cunha.



Os números a que chega o estudo "apontam para a soma dos dois, qualquer coisa na casa dos 400 milhões de euros ano", concluiu.



"O turismo médico é mais difícil, os volumes de negócio até são mais baixos, mas é estruturante para podermos chegar aos turismo de bem estar", especificou o responsável, acrescentando que, se não conseguir ser competitivo e credível no turismo médico, "dificilmente" Portugal consegue uma operação bem sucedida no turismo de bem estar.



O turismo de saúde integra o turismo médico, que pode ser reativo, quando a intervenção é necessária por questões de saúde, ou proativo, quando se trata de uma decisão da pessoa, como estética ou fertilizações em vitro, e o turismo de bem estar.



A análise centra-se no turismo médico reativo e elege sete mercados onde a procura se adequa melhor à oferta portuguesa: Áustria, Holanda, Suécia, Reino Unido, França, Espanha e Alemanha.



Os procedimentos com maior potencialidade são a cirúrgia às cataratas, artroplastia da anca, angioplastia coronária, colecistectomia, hérnia inguinal e femoral, artroplastia do joelho e prostatectomia.



É referido o potencial existente em países como Angola ou Moçambique como "muito importante", mas o contributo não está quantificado devido à falta de acesso a informação.



Na estética, Portugal tem potencial e competitividade em intervenções como o aumento ou redução do peito, facelifts, rinoplastias ou abdominoplastia, listou o diretor executivo do Cluster.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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