Três em cada dez pessoas deixaram de comer algum alimento essencial por falta de dinheiro

28,6% dos agregados familiares indicaram ter alterado o consumo de algum alimento essencial
1 de novembro de 2013 - 13h34
Quase três em cada 10 pessoas inquiridas num estudo da Direção-Geral da Saúde (DGS) assumiu ter deixado de consumir algum alimento considerado essencial por dificuldades económicas, segundo dados recolhidos em 2012 e hoje divulgados em Lisboa.
Para compreender de que forma a crise económica e financeira poderia estar a afetar a saúde e escolhas alimentares dos portugueses, a DGS realizou um inquérito, através dos centros de saúde, a mais de 1.200 pessoas.
Segundo os resultados hoje apresentados por Paulo Nogueira, responsável da DGS, 28,6% dos agregados familiares indicaram ter alterado o consumo de algum alimento essencial, nos últimos três anos, devido a dificuldades económicas.
Da amostra, quase 350 pessoas confirmaram esta alteração na sua vida alimentar e outras 845 pessoas disseram não se ter deixado de comer algo fundamental por falta de dinheiro.
Segundo o estudo da DGS, menos de metade das pessoas inquiridas em 2011 e em 2012 disse sentir algum tipo de insegurança alimentar, com apenas menos de 8% a indicarem uma insegurança alimentar grave, que pode corresponder a situações de fome ou privação.
Apesar de a maioria das pessoas não se queixar da falta de dinheiro para comprar os alimentos que deseja, 26% das pessoas dizem não poder adquirir os produtos que queriam consumir.
Dos dados do inquérito, Paulo Nogueira sublinhou que os fatores socioeconómicos, o grau de instrução e a situação de emprego parecem influenciar fortemente a disponibilidade de alimentos protetores para a saúde.
Do mesmo modo, parecem ser as pessoas obesas que indicam uma maior insegurança alimentar moderada e grave.
Aliás, o coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável tinha destacado recentemente que os dados portugueses mostram que quando o rendimento familiar diminuiu, a obesidade tende a aumentar.
Uma das explicações pode ser o facto de os alimentos que fornecem grandes quantidades de energia a custo baixo serem mais acessíveis e, paralelamente, terem a indústria alimentar que potencia o seu consumo através da publicidade.
Os dados da DGS hoje divulgados permitem também perceber que nos anos avaliados (2011, 2012 e 2013 ainda em avaliação) não tem havido oscilações significativas no acesso aos alimentos por parte dos portugueses.
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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