Tratamento de calor contra as verrugas dos pés com chama fraca

As descobertas de uma equipa de investigadores chineses, em 2010, geraram expetativas. Esperava-se que a terapêutica chegasse à Europa pouco depois mas a sua utilização ainda é reduzida...

Muitas descobertas científicas são anunciadas com pompa e circunstância mas depois, na prática, a montanha acaba por parir um rato, como diz o famosos ditado popular. Foi o que sucedeu com uma experiência de especialistas chineses, que conseguiram remover verrugas plantares de 80% dos pacientes envolvidos na investigação e curar as infeções plantares de 54% dos 54 voluntários envolvidos no projeto. Desses 26, foram submetidos a um tratamento inovador e 28 foram sujeitos a um placebo, uma falsa terapêutica, para depois comparar os efeitos de um e de outro.

As verrugas plantares formam-se nas plantas dos pés devido a uma infeção do Vírus do Papiloma Humano (HPV), um vírus que infeta os queratinócitos da pele ou mucosas. Este tipo de verrugas podem espalhar-se, se não forem corretamente tratadas com medicamentos ou outras soluções mediante técnicas de laser ou cirurgia. Em 2010, uma equipa da Universidade Médica de Shenyang, na China, conseguiu erradicá-las com êxito graças a um equipamento de infravermelhos que aquece as verrugas a 44ºC sem tocar na pele saudável do paciente.

De acordo com o estudo que suportou a experiência, publicado no The Journal of Infectious Diseases, a hipertermia localizada, que causa a morte celular, deveria «estar disponível para este efeito na Europa dentro de dois ou três anos». Passados cinco, a sua utilização para esse efeito é quase residual, apesar do seu uso, em circunstâncias distintas, em situações de tratamento de doentes oncológicos. «Devemos pensar sempre no paciente», justifica Jaime Ferreira, um dos especialistas da Associação Oncológica do Algarve que colabora com a plataforma virtual Wikicancro.

«Se a neoplasia maligna já foi tratada com cirurgia, quimioterapia e radioterapia e não mostrou melhoria, os médicos têm o dever de procurar novas estratégias», defende. «Muitos consideram a imunoterapia e a hipertermia como medidas complementares dignas de crédito. Existem muitos trabalhos científicos de bom nível que atestam a eficácia de tais estratégias», afirma numa exposição disponível online.

artigo do parceiro:

Comentários