Transporte inter-hospitalar: Crianças em estado crítico com transporte especializado no Norte do país

Imagine-se uma criança que sofreu um acidente grave em Vila Real e que precisa de ser transferida para uma unidade de cuidados intensivos no Porto. Actualmente, num caso deste tipo, são pediatras e enfermeiros sem treino específico que acompanham as crianças nas ambulâncias até ao hospital mais diferenciado.

A partir de 2 de Abril, a situação vai mudar. As crianças e jovens até aos 18 anos em estado crítico passam a ter um novo sistema de transporte inter-hospitalar, seguindo o modelo que já existia desde 1987 para os recém-nascidos de alto risco (bebés até aos 28 dias) e adoptando um tipo de resposta semelhante à que já está em funcionamento nas regiões Centro e Sul do país desde o ano passado.

O protocolo que formaliza este novo modelo de transporte vai ser assinado hoje de manhã no Hospital de S. João, onde está concentrada a urgência pediátrica do Porto e onde vai funcionar a sede do sistema. O transporte será assegurado por uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) equipada com todo o material indispensável à estabilização de doentes críticos. Se necessário, o transporte será feito de helicóptero. E a tripulação passa a ser composta por um técnico de emergência, um enfermeiro e um médico preparados para lidar com situações muito graves.

"São profissionais habituados a ventilar e a entubar, uma equipa dedicada", destaca Fernando Araújo, presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN). A ambulância funcionará 24 horas por dia, todos os dias, e o novo sistema abrangerá os distritos de Bragança, Vila Real, Viana do Castelo, Braga, Porto, além dos concelhos dos distritos de Aveiro e Viseu que pertencem à Região Norte. Pelas contas da ARSN, o alargamento deste transporte especializado a todas as crianças e jovens implicará que, de uma média de um transporte por dia, se passe para dois.

Porque este modelo apenas vai ser usado em situações muito específicas, como traumatismos e queimaduras graves, doenças raras, problemas cardíacos, transplantes, exemplifica Fernando Araújo. Diversos estudos provam que o transporte de doentes críticos feito por uma equipa especializada permite reduzir a morbilidade e mortalidade.

07 de Janeiro de 2011

Fonte: Público

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