Terapia genética protegeu ratos contra vírus da gripe pandémicos

Dose única de antivírus conferiu proteção total aos animais de laboratório expostos ao H5N1 e H1N1
30 de maio de 2013 - 14h14



Uma terapia genética protegeu ratos contra diferentes vírus responsáveis por pandemias de gripe, incluindo a estirpe da gripe espanhola, que causou cerca de 50 milhões de mortos em 1918, mostrou um estudo.



Uma dose única de vírus adeno-associados que ativa um anticorpo que neutraliza as estirpes de vírus de gripe pandémica nas vias nasais de ratos e furões permitiu proteger os animais de uma infeção gripal, explicaram os autores do estudo, publicado na quarta-feira na revista norte-americana Science Translational Medicine.



Os vírus adeno-associados, utilizados para transferir genes, não são patogénicos e existem naturalmente em humanos e primatas, segundo a agência France Presse.



O estudo mostrou que uma dose única daquele vírus conferiu proteção total aos animais de laboratório expostos depois aos vírus H5N1 e H1N1, que são altamente patogénicos e responsáveis por gripes mortais.



As estirpes foram isoladas a partir de amostras ligadas a várias pandemias, como as de 1918 e de 2009.



“As experiências descritas no nosso estudo demonstram a eficácia nos animais desta abordagem, que pode ser utilizada para combater qualquer vírus pandémico ou agente de bioterrorismo para os quais existem anticorpos que podem ser isolados”, disse James Wilson, diretor do programa de terapia genética do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, principal autor do estudo.



“Desenvolver esta técnica genética tornou-se mais urgente com a ocorrência recente na China do vírus H7N9 da gripe das aves, que é mortal nos humanos”, sublinhou.



Maria Lambris, professora adjunta na Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, explicou que a novidade nesta abordagem “é a utilização de um vírus adeno-associado para encaminhar fácil e eficazmente uma vacina profilática nas vias nasais”.



“Os anticorpos são utilizados há muito contra o cancro e as doenças autoimunes, mas pouco no combate às doenças infeciosas”, disse a cientista, adiantando que “esta nova técnica permite desenvolver uma vacina profilática contra a gripe mais barata, fácil de administrar e de fabrico rápido”.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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