Terapia da fala em grupo incentiva novas competências em quem deixou de comunicar

Acidentes vasculares cerebrais, traumatismos cranianos e doenças degenerativas entre as causas
5 de março de 2013 - 14h05



Um gesto, um desenho, a escrita ou a expressão facial podem ser formas de comunicar para quem deixou de ter capacidade de o fazer, técnicas agora trabalhadas em grupo no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA).



“O objetivo é que a pessoa consiga comunicar seja de que forma for”, defende a subcoordenadora da Unidade de Terapia da Fala Adultos do centro, Daniela Parente, que falava à agência Lusa a propósito do Dia Europeu da Terapia da Fala, que se assinala na quarta-feira.



Inaugurado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em 1966, o CMRA foi o primeiro centro criado em Portugal para a reabilitação de pessoas com incapacidade motora, apostando na criação de novos métodos de intervenção, como sessões de terapia da fala em grupo.



“Os grupos têm estado a decorrer muito bem, com resultados positivos, e este método tem despertado curiosidade por parte de outros terapeutas”, conta.



As causas mais frequentes que levam os adultos a necessitarem de fazer terapia da fala são os acidentes vasculares cerebrais, os traumatismos cranianos e doenças degenerativas.



“Muitas vezes [o doente] tem de utilizar um gesto, a escrita, o desenho ou até um ‘software’ de comunicação, com um sintetizador de voz, que lhe permita comunicar aquilo que não consegue”, explicou Daniela Parente.



O CMRA tem uma “intervenção diversificada” - individual, em contexto de refeitório e em grupo -, assente em três áreas: fala, linguagem e deglutição.



A intervenção em refeitório destina-se às pessoas com problemas de deglutição, na sequência de terem sofrido um AVC, e a de grupo a problemas de alterações da fala e da linguagem.



Sobre os resultados alcançados com estes novos métodos de intervenção, Daniela Parente disse que a terapia de refeitório mostrou que era eficaz e “um complemento muito importante à intervenção individual”.



Relativamente aos grupos, os resultados também têm sido “muito positivos”, sobretudo no que se refere à funcionalidade da pessoa.



“Quando trabalhamos de um para um não temos a possibilidade de explorar as respostas espontâneas da outra pessoa”, mas quando interagem com pessoas que apresentam as mesmas dificuldades de comunicação têm menos medo de fazer mal, dão respostas naturais e acabam por aumentar bastante a sua funcionalidade, explicou.



Daniela Parente apelou aos familiares e amigos destes doentes que “tentem dar um bocadinho mais de tempo a estas pessoas com dificuldades de comunicação, que consigam ter mais disponibilidade para as ouvir”.



“Na maioria das vezes, estes doentes não perderam a memória, toda a informação que tinham da sua vida está lá. A sua grande dificuldade é transmitir ou às vezes compreender aquilo que é dito”.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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