Taxa de infeções hospitalares em Portugal é superior à média europeia

Na Europa, a taxa global de prevalência de infeções hospitalares fica-se pelos 6,1%
9 de maio de 2013 - 14h24



A taxa global de infeções hospitalares em Portugal situa-se nos 10,6 por cento, o que significa que cerca de um em cada dez doentes é infetado nas unidades de saúde nacionais, foi hoje revelado em Coimbra.



Os números, avançados por Alexandre Diniz, diretor do Departamento da Qualidade na Saúde da Direção Geral de Saúde (DGS), constam de um estudo europeu, elaborado entre maio e junho de 2012, que incluiu 43 hospitais portugueses.



Na Europa, a taxa global de prevalência de infeções hospitalares - onde se incluem patologias das vias respiratórias e urinárias, entre outras - fica-se pelos 6,1%.



Também no uso de antibióticos Portugal apresenta uma prevalência superior à média europeia (45,4% contra 35,8).



Na sua intervenção no seminário "Infeções Associadas aos cuidados de Saúde", promovido pela Associação Portuguesa de Infeções Hospitalares e pela Administração Regional de Saúde do Centro, o responsável da DGS aludiu ainda, sobre o mesmo estudo, às Unidades de Cuidados Continuados (UCC), onde a prevalência de infeções é mais do dobro da média europeia (8,1% contra 4 por cento).



As patologias predominantes situam-se ao nível da pela, tecidos moles, feridas, mas também das vias respiratórias e urinárias e o uso de antibióticos volta a revelar-se superior ao dos países europeus que têm uma taxa média de 6,5 por cento contra 9,4 das UCC portuguesas.



Alexandre Diniz afirmou que "o aumento da segurança dos doentes" é uma das prioridades do Governo, aludindo à criação de um sistema no Serviço Nacional de Saúde, que passa pela criação de uma Rede de Qualidade e Segurança, a nível nacional.



"Temos de melhorar o controlo das infeções. Mas também controlar a resistência aos antibióticos que poderá fazer regredir mais de 50 anos a história da Medicina", alertou.



Alexandre Diniz deu ainda exemplos práticos de comportamentos que "têm de melhorar rapidamente", como os profissionais de saúde que, nos hospitais, "andam a passear de bata aberta na rua" e outros locais "e têm sido muito negligentes", sustentou.



Melhorar a prevenção de quedas dos utentes, contenção dos doentes e o uso seguro de medicamentos foram outras medidas apontadas.



O responsável da DGS lembrou ainda que o ministério da Saúde possui um sistema de notificação de "incidentes e eventos adversos", gratuito e anónimo, "que pode ser acedido por qualquer unidade" hospitalar.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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