Surto de cólera na província moçambicana de Tete ainda exige atenção

A epidemia de cólera que eclodiu em janeiro em Tete, centro de Moçambique, está estabilizada na capital da província e em Moatize, mas ainda exige "atenção especial" nos distritos periféricos, alertaram os Médicos Sem Fronteiras.
créditos: LUSA

"Os casos de cólera na cidade de Tete e de Moatize, região centro de Moçambique, estão a diminuir nos últimos dias, mas há novos focos que se registam em alguns pontos da província que precisam de uma atenção especial", informa um comunicado da organização não-governamental, que trabalha em estreita ligação com o setor de saúde na província desde 2001.

Desde a eclosão da doença, em janeiro, a MSF registou 2.578 pacientes, dos quais 26 morreram e os restantes foram atendidos com sucesso.

"O Centro de Tratamento de Cólera de Matundo, construído na cidade de Tete, com capacidade para 160 camas, admite ultimamente uma média diária de 40 a 50 pacientes, dos quais 25 a 30 crianças, contra uma média de 145 internamentos registados entre 14 a 25 de fevereiro", indica o comunicado.

"O número de pacientes em Tete, de um modo geral tem diminuído, nos últimos dias. Porém, em algumas áreas específicas, nomeadamente Mateus Sanção Muthemba, Samora Machel, continua preocupante", disse o coordenador do Projeto de Cólera na MSF, citado no documento.

Segundo Renato Sousa, esforços na área de saneamento, fornecimento de água e sensibilização das comunidades incluindo a distribuição a ‘solução certeza' [líquido para purificar a água] estão a ser concentrados em dois bairros da cidade de Tete, de onde é proveniente a maioria dos doentes.

A MSF informou ainda que, em Moatize, o surto de cólera está quase controlado, uma vez que o centro de tratamento local tinha até sexta-feira apenas dez doentes, num total de 767 casos e 11 óbitos desde janeiro.

A epidemia de cólera já provocou pelo menos 43 mortos e mais de cinco mil infeções no centro e norte de Moçambique, a maioria dos quais em Tete, após a ocorrência de cheias em meados de janeiro e que atingiram, com elevado nível de destruição, as províncias da Zambézia, Nampula e Niassa.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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