Somos o que comemos

O excesso de peso/obesidade está associado a um estilo de vida e a hábitos alimentares de risco

16 de outubro de 2013 - 11h46

No dia em que se comemora, a nível mundial, o Dia da Alimentação, 2500
anos depois, a frase proclamada por Hipócrates, o Pai da Medicina,
“Somos o que comemos”, faz hoje mais sentido que nunca.

Analisando os estudos estatísticos, atuais e os resultados, perspetivados para um futuro próximo, apresentamos uma sociedade maioritariamente doente, e que começa já a atingir as faixas etárias mais jovens.

O excesso de peso/ obesidade, doença crónica, que está associada a um estilo de vida e, por consequente, a hábitos alimentares de risco, é amplamente discutida e está na origem de medidas politicas alimentares para uma educação alimentar que permita a profilaxia desta doença. Estão já descritos e cientificamente estudados os distúrbios metabólicos que advêm desta patologia, como a Diabetes Mellitus tipo 2, Dislipidémias, Hipertensão Arterial, entre outros, contudo neste dia de prevenção, 16 de outubro, importa referir, que uma alimentação de risco, densamente calórica e de baixo teor nutritivo, que está na origem do excesso de peso/ obesidade e suas co-morbilidades, também está na origem de mutações genéticas que podem conduzir a neoplasias (carcinomas).

Em Portugal, os Carcinomas, representam o segundo maior fator de mortalidade, em idade prematura.

Há 2500 anos, Hipócrates, acrescentou ainda, “que o vosso alimento seja o vosso primeiro medicamento”. Porém, numa sociedade onde se vive em contra-relógio, assiste-se a uma situação contrária, no que respeita à alimentação. Atualmente procuramos a Alimentação, como substrato energético e, caiu no esquecimento o seu papel nutritivo e preventor. Basta, recordarmos as palavras dos nossos avós, “deves comer espinafres, pois eles te darão força”, “come uma cenoura, que faz os olhos bonitos”, entre outros.

A alimentação acarreta, para além de uma digestão que ocorre ao longo do tubo digestivo, uma digestão celular. Os nutrientes, que se extraem durante a digestão, apresentam uma função na célula. Logo, se o padrão alimentar reunir uma escolha mais saudável de alimentos, isto é, alimentos de elevada densidade nutricional, estamos a controlar o meio envolvente, como fator na génese de carcinomas.

Fatores bioquímicos, como os antioxidantes bem como os fitoquímicos, presentes nos alimentos têm merecido interesse de estudo e desenvolvimento de formas de suplementação, pois participam em processos bioquímicos que permitem reduzir a ação do radical livre sobre a célula, bem como fornecem elementos essenciais ao bom funcionamento da célula, de um determinado órgão-alvo. Vejamos o caso do tomate, poderoso antioxidante, rico em Licopeno, carotenoide, com ação na prevenção da neoplasia da próstata.

Não nos podemos esquecer que o excesso de peso/ obesidade, consiste na realidade numa inflamação do tecido gordo, com libertação de fatores de inflamação que alteram o funcionamento das células vizinhas e, que podem levar a neoplasias. Desta forma, ao prevenirmos o ganho de peso e, ao gerirmos o nosso peso, em valores saudáveis, estamos também a prevenir a formação de neoplasias. Para tal, a adoção de um estilo de vida saudável, que envolve a adoção de hábitos alimentares que respeitam quer o valor energético ideal, tendo em conta a atividade física existente, quer a qualidade nutricional das escolas alimentares, com especial atenção aos alimentos que podem causar intolerâncias alimentares e, procurando realizar uma alimentação rica em fibra estamos a garantir uma defesa celular e uma melhor e maior qualidade de vida no futuro.

Viva em forma, procure fazer uma alimentação saudável, conheça as melhores combinações alimentares para o seu caso, adote um estilo de vida saudável, com prática regular de exercício físico e desta forma, mantenha-se jovem e em forma (saudável).

Ana Filipa Baião
Nutricionista das Clínicas Em Forma

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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