Solução para concentração de gases de efeito de estufa é difícil, admite especialista

Oitenta por cento das fontes primárias de energia tem origem em combustíveis fósseis
9 de setembro de 2014 - 09h22



O físico português Filipe Duarte Santos considerou hoje de “difícil solução” o problema do aumento da concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera, que atingiu um novo valor recorde em 2013, segundo dados hoje revelados.



De acordo com o relatório anual da Organização Meteorológica Mundial (OMM), a taxa de crescimento dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera entre 2012 e 2013, atingiu um novo recorde no ano passado, representando o maior aumento anual em 30 anos.



”É muito difícil, mas é preciso não perder a esperança. Há muitas pessoas que fazem do estudo destas questões, da análise destas problemáticas a sua vida profissional. É necessário termos consciência que estamos perante um desafio difícil porque o mundo está viciado em combustíveis fósseis, em petróleo, em carvão “, afirmou Filipe Duarte Santos em declarações à agência Lusa.



Para o especialista, um dos revisores do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), é necessário uma “grande consciencialização” das pessoas e “uma grande vontade política” para alterar o rumo daquilo que está a acontecer com o planeta.




“Oitenta por cento das fontes primárias de energia a nível global, consumidas entre 7.200 milhões de pessoas, tem origem em combustíveis fósseis, embora muitas delas nem tenham acesso a energia comercializada. Alterar esta situação é algo que exige grande consciencialização das pessoas e grande vontade política que resulta dessa mesma consciencialização”, sublinhou.



Segundo Filipe Duarte Santos, as populações têm de estar “mais conscientes do problema”, sendo necessário que se “poupe mais energia” e não se dependa tanto dos combustíveis fósseis.



“No fundo é preciso contribuir para que utilizem sistemas energéticos mais eficientes, que se usem mais energias renováveis apesar de por vezes serem mais caras do que os combustíveis fósseis como o carvão”, explicou.



Para o físico da Universidade de Lisboa, há que surgir uma “concertação internacional” no sentido de se reduzirem as emissões de gases, alertando que se nada acontecer há “um futuro cada vez mais incerto no que diz respeito ao clima com consequências gravosas sobretudo para os países mais vulneráveis sendo os mais pobres e com menos recursos os vão sofrer mais”.



De acordo com o relatório hoje divulgado, as concentrações de dióxido de carbono, de metano e óxido nitroso alcançaram novos máximos em 2013.



Em 2013, a concentração de CO2 na atmosfera subiu 142% face ao que era na época pré-industrial (1750), enquanto as de metano e óxido nitroso subiram, respetivamente, 253% e 121%, segundo o documento.



O oceano absorve hoje em dia cerca de um quarto das emissões totais de CO2 e a biosfera uma fatia idêntica, limitando assim o crescimento de dióxido de carbono na atmosfera.




Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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